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Alteração na capacidade de achar graça pode indicar demência

Ao perceber alterações no comportamento dos entes queridos, em especial daqueles com mais de 70 anos, é importante procurar ajuda médica o quanto antes

abril de 2017
Da redação
SHUTTERSTOCK
Um senso de humor distorcido – que inclui o riso em momentos inapropriados ou explosões incompreensíveis de irritação – pode ser um dos primeiros sinais de demência. Pelo menos é o que indica uma pesquisa da Universidade College de Londres publicada pelo periódico científico Journal of Alzheimer’s Disease. Os cientistas que participaram do estudo entrevistaram parentes e amigos de 48 pacientes com diagnóstico de demência. Todos tinham conhecido os pacientes havia mais de 15 anos antes de os sintomas da doença terem se tornado perceptíveis. A maioria reconheceu que o senso de humor dos doentes havia mudado. Vários relatavam casos em que os pacientes haviam rido em situações inadequadas, ao assistir a reportagens sobre desastres naturais ou ao ver um carro estacionado mal.


Um dos entrevistados recordou que um parente riu muito quando sua mulher se queimou de forma grave com água fervente. “Meu pai passou a não ver graça em praticamente nada após a doença, mas um dia nos surpreendemos quando ele começou a gargalhar ao ver minha mãe, que sofre de asma, perder o fôlego e lutar para respirar”, lembrou outro entrevistado.


 “Embora a perda da memória muitas vezes seja a primeira coisa que nos vem à mente quando ouvimos a palavra ‘demência’, o estudo destaca a importância de olhar para as várias alterações que impactam a vida diária e os relacionamentos”, afirma o neurologista Simon Ridley, do Centro de Pesquisa sobre Alzheimer, no Reino Unido. Ele salienta, entretanto, que apenas as variações de humor não são suficientes para diagnosticar um quadro demencial: é preciso levar em conta o conjunto de sintomas. De qualquer forma, orienta: “Ao perceber alterações no comportamento dos entes queridos, em especial daqueles com mais de 70 anos, é importante procurar ajuda médica o quanto antes”.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de fevereiro da Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2lU6Pqx