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Amor, luz de velas e gesto de sedução

abril de 2008
Helen Thompson
ADALBERTO LIMA
A tela Arrufos, do pintor mineiro radicado no Rio de Janeiro Belmiro de Almeida (1858-1935), dá nome à nova peça idealizada, produzida e encenada em São Paulo pelo Grupo XIX de Teatro. Seguindo a perspectiva histórico-subjetiva presente nas duas obras anteriores, Hysteria e Hygiene, o grupo agora encara o desafio de encenar a temática do amor. Nuances do sentimento são abordadas sob a óptica da cultura e atravessadas pelos efeitos das mudanças ao longo do tempo.

A vida privada nos diversos períodos históricos – boa parte dela retratada na literatura – inspirou o grupo a investigar o conceito moderno de amor, colocando em questão o mito da imortalidade que envolve os amantes e, momentaneamente, oferece a ilusão de que as diferenças podem ser eliminadas. Em meio a uma iluminação bruxuleante de velas e valendo-se do esboço de várias histórias de paixão, Arrufos se propõe a misturar os tempos em que elas ocorrem, entre os séculos XVIII e XX.

O grupo parte da premissa de que os investimentos afetivos podem ser reeditados, resultando em novas e renovadas histórias de afeto e desejo. A cada espetáculo, o público é levado a reconstruir o ideário do amor como fato sociopolítico em que palavras, gestos, seduções, olhares e toques têm configurações específicas em cada época. (Por Laura Battaglia Cavalcanti, psicóloga)