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Angústias e desejos de Barba Azul

Em versão moderna, personagem clássico da ficção leva o espectador a refletir sobre a fragilidade humana

janeiro de 2011
rany carneiro
Vendedor de sapatos vive encontros amorosos com sete mulheres
Em versão moderna, personagem clássico da ficção leva o espectador a refletir sobre a fragilidade humana
Escrita em 1697 pelo francês Charles Perrault, o conto Barba Azul(Le Barbe-Bleue) já inspirou filmes, novelas e peças de teatro por todo o mundo. O clássico narra a história de um homem rico com aparência e comportamento estranhos: sua grotesca barba azul assusta as pessoas, e o misterioso desaparecimento de suas esposas causa suspeitas de que ele seja um assassino. Alguns psicanalistas associam a imagem do personagem à perversão, caso de Elisabeth Roudinesco, que, em seu livro A parte obscura de nós mesmos – Uma história dos perversos (Editora Zahar, 2008), mostra como o sintoma se expressa e exibe o que a pessoa busca dissimular.


No Brasil, em 1974, a escritora Ivani Ribeiro inspirou-se no tema e o trouxe para a televisão na novela A barba azul, regravada em 1985 como A gata comeu. Nas duas produções, a protagonista, uma mulher jovem, bela e rica, simplesmente descarta os homens que caem de amores por ela. A versão mais recente do clássico está em cartaz no Rio de Janeiro, com nome de o Barba Azul – A esperança das mulheres. Criada a partir do conto da dramaturga alemã Dea Loher, em 1998, e traduzido por Carola Saavedra, a história revisita a fábula original. Nessa versão, o personagem principal é Henrique, um vendedor de sapatos femininos. Ao longo da narrativa o anti-herói vive encontros amorosos com sete mulheres: Júlia, seu primeiro amor; Ana, uma amiga; uma mulher Cega; Judite, a insone; Tânia, a prostituta; Eva, a que casou sete vezes; e Cristiana, a audaciosa. Os encontros entre algoz e vítima refletem solidão, manipulações, expectativas e decepções – de ambas as partes –, propondo uma reflexão sobre a fragilidade humana.