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Antibiótico para tratar esquizofrenia

O psiquiatra brasileiro Jaime Hallak fala sobre as novas tendências no tratamento de pessoas que sofrem com sintomas psicóticos no 8º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, em São Paulo

maio de 2012
© VOYLODYON/SHUTTERSTOCK
Um remédio barato para o tratamento da acne, geralmente prescrito para adolescentes, está sendo testado  para atenuar os sintomas psicóticos em pacientes com esquizofrenia. Tudo começou em 2007 no Japão, quando um homem chegou a um pronto socorro geral sofrendo de delírios persecutórios e ideias paranóicas. Apesar de não ter antecedentes psiquiátricos, mostrava-se agitado, com alucinações auditivas, ansiedade e insônia. O paciente foi submetido a exames de sangue e tomografias cerebrais, mas não foi encontrada qualquer anormalidade. Os médicos optaram então por administrar haloperidol – uma poderosa droga anti-psicótica. O tratamento não teve efeito e o paciente continuava sofrendo de sintomas psicóticos uma semana depois, quando desenvolveu pneumonia grave.

Os especialistas administraram a minociclina (antibiótico usado contra infecções) e dentro de duas semanas a bactéria foi eliminada e como efeito colateral, os sintomas psicóticos desapareceram. A droga foi interrompida e as alucinações voltaram. O tratamento foi retomado e em três dias, o paciente ficou melhor novamente, tendo sido tratado nos próximos dois anos com a minociclina sem apresentar retorno dos sintomas. O estudo foi apresentado à Schizophrenia Commission pelo psiquiatra Bill Deakin, da Universidade de Manchester.

Com base nesses dados, pesquisadores do mundo todo pretendem testar a droga em pacientes esquizofrênicos. Estudos em Israel, Paquistão e Brasil têm mostrado melhora significativa em pessoas tratadas com o antibiótico. Os cientistas acreditam que a esquizofrenia e outras doenças mentais, incluindo depressão e a doença de Alzheimer pode resultar de processos inflamatórios no cérebro.

De acordo com o psiquiatra Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, a minociclina tem propriedades anti-inflamatórias e protetoras do cérebro. Hallak coordenou uma pesquisa com 30 pacientes esquizofrênicos e verificou, por meio de ressonância magnética que, após o uso do antibiótico, 24 tiveram uma proteção maior do sistema límbico, principalmente do cingulado anterior, região ligada à cognição e motivação. “Minha expectativa não é substituir os antipsicóticos pelo antibiótico, mas somá-lo ao tratamento”, acrescenta.

8º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções. Centro de Convenções Frei Caneca, rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo, SP. Informações:  www.cbcce.com.br. De 2 a 5 de maio