Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Antipsicóticos estão relacionados à atrofia cerebral em pessoas com esquizofrenia

Estudo que durou nove anos mostra que o aumento da dosagem de medicação é proporcional aos efeitos

julho de 2014
Shutterstock
À medida que envelhecemos, o cérebro perde células e conexões neurais. Essa consequência natural, chamada de atrofia, geralmente começa por volta dos 30 anos e se intensifica na velhice. Pessoas com esquizofrenia, porém, apresentam redução mais acelerada, de acordo com diversos estudos. A novidade é que a diminuição mais rápida da massa cerebral de pacientes com a patologia pode estar relacionada ao uso de drogas antipsicóticas, sugerem pesquisadores da Universidade de Oulu, na Finlândia, e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Os cientistas compararam imagens do cérebro de 33 voluntários com a doença com o de 71 indivíduos saudáveis (grupo de controle) em um estudo longitudinal de nove anos (dos 34 aos 43). Eles observaram que os primeiros perderam volume cerebral a uma taxa de 0,7% por ano; o restante, a 0,5%. Quanto mais aumentava a dosagem de medicação, mais a atrofia se pronunciava. Curiosamente, não observaram nenhuma evidência de efeitos negativos dessa redução na saúde mental dos pacientes durante o período do estudo, que durou quase uma década.

Os resultados, publicados na PLOS ONE,podem ajudar a desenvolver parâmetros que auxiliem médicos a dosar a medicação com maior precisão em tratamentos de longo prazo. “Isso não autoriza os pacientes a interromper ou diminuir o uso de drogas antipsicóticas receitadas”, alerta o psiquiatra Graham Murray, um dos autores da pesquisa. “Ainda são necessários estudos com amostras maiores e maior tempo de acompanhamento para avaliar os efeitos dessas alterações cerebrais.”

Leia mais

Pesquisas com cérebro em repouso ajudam a entender esquizofrenia
Pesquisadores da Universidade Yale tentam encontrar marcadores biológicos da psicopatologia

Moradores de grandes centros têm maior risco de depressão, ansiedade e esquizofrenia
Pressão social da vida urbana compromete circuitos cerebrais relacionados ao esgotamento físico e mental