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Aparelho pode facilitar comunicação de pessoas com ELA

Empresa desenvolve dispositivo portátil que promete traduzir sinais neurais; invenção traz esperanças para pacientes com distúrbios raros e debilitantes

fevereiro de 2015
Fernanda Teixeira Ribeiro
Shutterstock
O neurocientista americano Phillip Low compara as ondas cerebrais a uma orquestra. “À medida que nos afastamos de uma sala de concerto, deixamos de ouvir primeiro instrumentos de alta frequência, como violino, mas continuamos a escutar o trombone, por exemplo. Nosso objetivo é tentar acessar os padrões de alta frequência do cérebro”, diz o inventor do iBrain, dispositivo portátil que, acomodado sobre a cabeça, detecta sinais elétricos do cérebro e, por meio de um algoritmo, busca traduzir sinais neurais que não atravessam as camadas do cérebro ou o crânio.

Criado pela NeuroVigil, empresa de neurotecnologia fundada por Low e financiada pela Universidade Stanford e por multinacionais farmacêuticas, o iBrain traz esperanças pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA), ou doença de Lou Gehrig, que causa perda gradual dos movimentos musculares, até a total paralisação – mas não afeta as funções cognitivas. Um caso conhecido é o do físico Stephen Hawking. Atualmente, ele se comunica movendo alguns poucos músculos da face – através deles, controla remotamente um cursor de computador, que forma letra por letra as palavras que quer dizer, de maneira lenta e trabalhosa.

Entusiasta do projeto, Hawking experimentou o iBrain em uma visita de Low e sua equipe a seu escritório em Cambridge, há três anos. Os cientistas acomodaram o dispositivo sobre o couro cabeludo do físicoe pediram que ele se imaginasse apertando uma bola com a mão direita. Embora não consiga movê-la, seu córtex motor, região do cérebro associada a essa função, gerou sinais elétricos que foram “traduzidos” pelo modelo computacional de Low como uma espécie de padrão “constante e repetitivo”.

Mas o neurocientista é enfático ao afirmar que o iBrain está longe de ser uma máquina que “lê a mente” – por enquanto, é um dispositivo que procura sinais neurais que possam ser associados a letras ou comandos de forma que uma pessoa emita informações diretamente através da mente, sem depender dos movimentos. “Tudo o que conseguimos foi um indicativo de intenção consciente, o que por si só é um grande passo”, esclarece.

A NeuroVigil estuda outros usos para a tecnologia do iBrain. Em 2014, anunciou uma parceria com a Universidade de Basileia, na Suíça, para tentar adaptá-la especificamente para crianças com síndrome de Rett, um distúrbio neurológico raro, mais frequente em meninas, que limita progressivamente os movimentos e a fala a ponto de algumas pacientes se comunicarem apenas com olhos.

 

(Leia mais sobre cérebro e tecnologia na edição de fevereiro de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na loja Segmento:http://bit.ly/19cD49H)