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Aplicativo para smartphone estima grau de felicidade

A ferramenta, usado por mais de 18 mil pessoas de vários países, revela que satisfação está mais relacionada à expectativa do que à recompensa

agosto de 2014
SiuWing/Shutterstock
Dinheiro traz felicidade? Segundo estudo recente publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, não. Cientistas da Universidade College de Londres desenvolveram uma ferramenta de cálculo para estimar o bem-estar de mais de 18 mil pessoas de vários países e descobriram que o que faz diferença mesmo são as nossas expectativas em relação às pequenas escolhas que fazemos diariamente.

Os pesquisadores submeteram 26 voluntários à ressonância magnética funcional (fMRI) enquanto tomavam decisões que poderiam resultar em ganhos ou prejuízos monetários. A cada escolha, deviam informar o nível de sua sensação de contentamento de acordo com uma escala. Nos momentos em que os participantes relataram bem-estar, eles observaram maior disparo neural no corpo estriado, área do cérebro cuja ativação depende em parte de células dopaminérgicas, o que indica uma possível relação entre dopamina e felicidade. Além disso, os voluntários que relataram maior bem-estar não eram os que acumulavam mais dinheiro, mas aqueles com históricos recentes de mais ganhos do que perdas, ou seja, com melhores expectativas sobre as escolhas que fariam naquela etapa.

Os dados capturados pela fMRI ajudaram os cientistas a construir um modelo computacional que relaciona a sensação de alegria a nossas expectativas de recompensas recentes. Então, a ferramenta foi testada em 18.420 participantes de várias partes do mundo por meio do jogo “O que me faz feliz?”. Ele é um dos testes do aplicativo para smartphone The Great Brain Experiment, que reúne avaliações usadas em experimentos científicos. O modelo computacional foi eficaz para estimar a felicidade mesmo sem oferecer contrapartida financeira concreta: bastou a recompensa de pontos dentro do programa.

“Esperávamos que as recompensas de curto prazo afetassem a felicidade a cada momento. Mas os resultados sugerem que são as expectativas, sejam positivas ou negativas, as principais responsáveis pela sensação de felicidade”, argumenta o neurocientista Robb Rutledge, autor do estudo. “Quantificar matematicamente estados subjetivos pode ajudar especialistas em saúde mental a entender melhor os transtornos de humor e a desenvolver tratamentos mais eficazes.”

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