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Aprisionados no próprio corpo

Estudos sugerem sinais de consciência em pacientes em estado vegetativo persistente (EVP)

fevereiro de 2015
Shutterstock
Em 2006, o neurocientista Adrian Owen pediu a uma mulher de 23 anos que se imaginasse em duas situações – jogando tênis ou andando pelos quartos de sua casa. Ela deveria pensar na primeira cena caso quisesse dizer “sim” a uma pergunta feita pelo pesquisador e na segunda se a resposta fosse negativa. Enquanto isso, Owen e seus colegas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, registraram o que ocorria em seu cérebro por meio de um aparelho de ressonância magnética funcional (MRI, na sigla em inglês). Algo simples, se não fosse um detalhe: a jovem estava em estado vegetativo persistente (EVP) havia mais de cinco meses. Vítima de um acidente de trânsito, ela apresentava sinais mínimos de atividade cerebral. Apesar disso, quando Owen fez as perguntas, o cérebro da paciente reagiu de forma semelhante ao de pessoas saudáveis submetidas ao mesmo teste, conforme os pesquisadores relataram na revista Science.Imaginar o esporte aparentemente ativou o córtex motor suplementar, associado ao planejamento de movimentos; a caminhada pela casa acionou o giro para-hipocampal, envolvido na percepção de espaço.

A pesquisa repercutiu no meio científico. Pesquisadores de várias universidades questionaram os resultados, argumentado que as reações cerebrais observadas não eram nada mais que sinais do processamento automático do som das palavras ditas pelo pesquisador e que os resultados ainda eram insuficientes para sugerir consciência. Em 2010, porém, Owen repetiu o teste com 54 pessoas em EVP, e cinco delas tiveram reações neurais semelhantes à da jovem. Mais recentemente, cientistas da Universidade de Wisconsin descobriram que pacientes com estado mínimo de consciência conseguem sonhar e aprender associações simples, o que sugere que sua memória continua ativa, apesar dos danos cerebrais. Mais que detectar sinais de consciência em pessoas que podem estar “aprisionadas” no corpo, a pesquisa traz esperanças para que elas se comuniquem.

(Leia mais sobre cérebro e tecnologia na edição de fevereiro de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na loja Segmento:http://bit.ly/19cD49H)