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Arte sinestésica de Kandinsky chega ao Brasil

Mostra de pioneiro do abstracionismo passará por Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo em 2015; inspirado pela música, pintor relacionou cores a sons e movimentos

janeiro de 2015
No branco. 1920. Óleo sobre tela. Museu Estatal Russo ©Kandinsky, Wassily, Autvis, Brasil, 2014

Aficionado por música erudita, o artista deu nomes como Improvisação e Composições a alguns de seus trabalhos 

“Um azul claro é como uma flauta; um pouco mais escuro, um cello; mais escuro ainda torna-se um retumbante contrabaixo.” Era assim que Wassily Kandinsky descrevia as cores. Formado em direito, começou a estudar pintura só depois dos 30 anos. Decidiu dedicar-se à arte durante uma viagem ao interior da Rússia no final do século 19 – lá, relatam estudiosos de sua obra, sentiu-se tragado pela vivacidade das cores das aldeias camponesas. “Senti-me cercado de todos os lados por uma pintura, na qual eu havia penetrado”, teria dito. Logo, não é surpresa encontrar seu trabalho quase sempre associado ao conceito de sinestesia, fenômeno de cruzamento dos sentidos. As experimentações sensoriais do precursor da arte abstrata, incluindo exemplares clássicos da sua trajetória, podem ser vistas de perto e gratuitamente na mostra Kandinsky: tudo começa num ponto, que percorrerá as unidades do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de capitais brasileiras ao longo de 2015.

Pessoas sinestésicas podem, por exemplo, associar letras a cheiros, texturas a sabores, notas musicais a cores, entre tantas outras combinações. Não é possível afirmar que Kandinsky tinha essa condição neurológica, mas é evidente a associação de sentidos em sua obra, em especial visão e audição. Aficionado por música erudita, deu nomes como Composições e Improvisação a algumas de suas pinturas. Como se criasse uma partitura, fazia arranjos com cores e formas primárias, como as geométricas, com intenção de provocar emoções no espectador e expressar uma “necessidade interior” – termo que usava – de criação livre e espontânea. Como escritor, criou textos que envolviam música para o teatro nos quais os atores deveriam se vestir de tons, como O som amarelo. 

Mais de cem obras do artista estão expostas em Brasília até 12 de janeiro. Depois seguem para o Rio, onde ficarão até março. Em abril, Belo Horizonte recebe a exposição e, em julho, São Paulo. De acordo com os organizadores, a disposição dos trabalhos pretende destacar a evolução do artista e suas referências – além de produções de contemporâneos do pintor, são exibidos objetos de rituais xamânicos e da cultura popular russa que influenciaram Kandinsky em sua busca por uma arte que não se restringia à simples reprodução da realidade e natureza e influenciaria as demais correntes artísticas que surgiram no século 20.

Kandinsky: tudo começa num ponto.
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília. Setor de Clubes Sul, Trecho 2, edifício Tancredo Neves. De quarta a segunda, das 9h às 21h. Informações: (61) 3108-7600. Grátis. Até 12 de janeiro.
CCBB Rio de Janeiro. Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Informações: (21) 3808-2020. De 28 de janeiro a 30 de março.
CCBB Belo Horizonte. Praça da Liberdade, 450, Funcionários. Informações: (31) 3431-9400. De 19 de abril a 29 de junho.
CCBB São Paulo. Rua Álvares Penteado, Centro. Informações: (11) 3113-3651. De 19 de julho a 24 de outubro. 

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