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As bailarinas de Edgar Degas

Artista teve a visão central prejudicada nos últimos anos de vida, mas continuou produzindo

março de 2015
Susana Martinez-Conde e Stephen L. Macknik
EDGAR DEGAS, DANÇARINAS NA BARRA. 1900-1905. ÓLEO SOBRE TELA. PHILIPS COLLECTION, WASHINGTON DC

Edgar Degas viveu de 1834 a 1917 e experimentou a perda visual progressiva nos últimos 30 anos de sua vida. Em 2006, o oftalmologista Michael F. Marmor usou informações retiradas das correspondências do pintor e simulações de sua percepção feitas com computador para tentar traçar um diagnóstico e entender melhor como ele teria experimentado o mundo.

Marmor concluiu que em Degas a visão central, por meio da qual temos maior acuidade e nitidez das imagens, diminuiu em seus últimos anos de vida. Muitos aspectos de sua arte, até então bastante vigorosa – como o sombreamento, a cor e a composição global –, em grande parte se perderam. Depois que esse aspecto ocular enfraqueceu, as obras ficaram mais grosseiras e com menos requinte. No entanto, é provável que o próprio Degas não tenha notado nenhuma diferença fundamental entre suas produções anteriores e as pinturas de anos mais tarde, como essa representação de bailarinas de seus últimos anos. Ele teria sido igualmente incapaz de focar a visão central nas primeiras obras. Marmor suspeita que as produções posteriores parecessem mais suaves e naturais aos olhos do pintor (filtradas pela patologia visual) do que aos dos espectadores sadios.

Leia o texto completo: "Percepções Distorcidas", que faz parte da edição de março de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/184InXR

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