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As causas e o tratamento dos transtornos alimentares

novembro de 2006
Fábio Salzano e Táki Cordas
Copyright iStock
Não há uma única etiologia responsável pelos transtornos alimentares. Acredita-se no modelo multifatorial, com participação de componentes biológicos, genéticos, psicológicos, socioculturais e familiares.

a) Fatores genéticos: pesquisas indicam maior prevalência de transtornos alimentares em algumas famílias, sugerindo uma agregação familiar com possibilidade de um fator genético associado. Estudos com gêmeos monozigóticos e dizigóticos também apontam a genética como possível participante etiologia dos transtornos alimentares.

b) Fatores biológicos: alterações nos neurotransmissores moduladores da fome e da saciedade como a noradrenalina, serotonina, colecistoquinina e diferentes neuropeptídeos têm sido postuladas como predisponentes para os transtornos alimentares. Existem dúvidas se tais alterações acontecem primariamente ou são decorrentes do quadro.

c) Fatores socioculturais: a obsessão em ter um corpo magro e perfeito é reforçada no dia-a-dia da sociedade ocidental. A valorização de atrizes e modelos, geralmente abaixo do peso, em oposição ao escárnio sofrido pelos obesos, é um exemplo disso.

d) Fatores familiares: dificuldades de comunicação entre os membros da família, interações tempestuosas e conflitantes podem ser consideradas mantenedoras dos transtornos alimentares.

e) Fatores psicológicos: algumas alterações características como baixa auto-estima, rigidez no comportamento, distorções cognitivas, necessidade de manter controle completo sobre sua vida, falta de confiança podem anteceder o desenvolvimento do quadro clínico.
Psicoterapia indicada
Distúrbios alimentares acarretam tanto sintomas físicos quanto psíquicos. Um tratamento precisa dar conta desses dois campos. Alguns tipos de psicoterapia têm bons resultados:

Terapia gestalt: a situação aqui-e-agora do paciente é tomada como ponto de partida. Se no momento o paciente está aborrecido com seu chefe, este passa a ser o tema da conversa. O tom da voz, gestos e postura corporal do paciente ao narrar fatos fornecem informações mais importantes que a pergunta sobre a última refeição.

Psicanálise: escola terapêutica que toma como ponto de partida um conflito inconsciente como causa do transtorno. Quem não come talvez esteja com receio da vida adulta, por ter vivenciado adultos como seres brutais. À medida que sentimentos como esse tornam-se conscientes ao longo de anos de tratamento, é possível que se abrandem as conseqüências de vivências traumáticas e que o paciente se abra a novas experiências.

Terapia sistêmica: de acordo com a compreensão sistêmica o ser humano é uma parte da rede de relações de seu ambiente. Sintomas de doenças são a expressão de determinados modelos relacionais. A filha, por exemplo, recusa o alimento por recusar a própria mãe, mas não tem meios para manifestar esse sentimento. As intervenções terapêuticas têm por meta tornar claros esses modelos e com isso ampliar as possibilidades de ação dos envolvidos.

Terapia comportamental: método que contém um espectro de técnicas fundadas sobre leis de aprendizagem, conhecimentos provenientes da psicologia experimental e social e conhecimentos médicos sobre o corpo. Passo a passo os pacientes com distúrbios alimentares aprendem a fazer aquilo de que têm medo: comer com regularidade e defrontar-se com sua imagem no espelho.

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