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Atores com transtornos mentais atuam em peça sobre reforma psiquiátrica

Em turnê pelo Brasil, Companhia de teatro italiana apresenta texto inspirado na Lei Basaglia

junho de 2011
Divulgação
As primeiras instituições para abrigar e tratar pessoas com doenças mentais foram criadas no século 18, a partir das ideias do médico francês Phillipe Pinel. O modelo asilar-manicomial, como ficou conhecido, foi seguido por vários países, inclusive o Brasil. No entanto, muitas entidades se desviaram do propósito inicial de cuidar dos doentes. O Hospital-colônia de Barbacena, em Minas Gerais, hoje considerado um modelo de atendimento em saúde mental, foi um triste um exemplo dessa realidade: nos anos 1960 e 1970, a instituição serviu como presídio político e ficou conhecida pelos maus-tratos que infligia aos pacientes psiquiátricos. Nos anos 1970, o psiquiatra italiano Franco Basaglia, idealizador da reforma manicomial, visitou a entidade e, a partir de então, o local foi considerado um retrato das sérias deficiências do modelo asilar-manicomial. Basaglia deu voz às denúncias de vários profissionais brasileiros da saúde, que já vinham discutindo formas alternativas de aliviar o sofrimento dos doentes mentais. A experiência do psiquiatra aqui no Brasil serviu de inspiração para a Lei 180, aprovada na Itália em 13 de maio de 1978, que determinou a extinção dos manicômios e a substituição do modelo psiquiátrico por outras modalidades de cuidado e assistência. A Lei Basaglia, como ficou conhecida, é, ainda hoje, a única do gênero em todo o mundo.


Para criar uma ponte entre o país fundador da revolucionária lei e o Brasil, reconhecido mundialmente como grande pesquisador da área de saúde mental, a companhia italiana de teatro Accademia della Follia apresenta o espetáculo Extravagância, interpretado em português, por atores com transtornos mentais. A peça, já apresentada cerca de 60 vezes na Itália, mostra a história de cinco pacientes internados em um manicômio que, com a lei Basaglia, voltam para casa. Porém, eles são não são bem recebidos pelos familiares, que os tratam de forma desafetuosa, incompreensiva e desinteressada. Alguns foram até mesmo substiuídos, pelos parentes. Os ex-internos decidem então retornar ao manicômio e viver à sua maneira, em uma comunidade aberta.


A turnê brasileira, que conta com o patrocínio da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), estará em 9 de junho, em São Paulo em 10 de junho, em São Carlos em 12 de junho, em São Leopoldo em 15 de junho, em Porto Alegre em 18 de junho, no Rio de Janeiro em 24,25 e 26 de junho, em Belo Horizonte em 8 de julho e em Ouro Preto em 9 de julho.