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Aumenta o número de mulheres alcoolistas

Pesquisa americana revela que diferença entre gêneros está diminuindo nas estatísticas sobre abuso no consumo de álcool

maio de 2008
©Izvorinka Jankovic/iStockphoto
Segundo um estudo publicado na revista científica Drug and Alcohol Dependence por Katherine M. Keyes, Bridget F. Grant e Deborah S. Hasin , e recém-divulgado no Brasil pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), houve uma redução significativa da diferença entre as quantidades de homens e mulheres no abuso e na dependência de álcool. Foram entrevistadas 43 mil pessoas, com mais de 18 anos, nos Estados Unidos, por meio de um questionário estruturado sobre os critérios diagnósticos de abuso e dependência do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentias (DSM-IV, na sigla em inglês). Até a realização da pesquisa, prevalecia a informação de que, na população americana, os homens bebiam mais e tinham mais chances de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool. Pensando nisso, a pesquisa investigou a aproximação entre os gêneros quanto ao padrão de uso de bebidas, com ênfase no “binge drinking” (beber exageradamente em uma única ocasião), bem como prevalência de abuso e dependência.
A amostra foi dividida em quatro categorias, conforme o ano de nascimento dos entrevistados. De acordo com os autores, os homens consomem maior número de doses de álcool em ocasiões específicas. Porém, a proporção de uso entre homens e mulheres diminuiu com o passar do tempo, caindo de 2,91% (para os nascidos entre 1913 e 1932) para 2,10% (de 1968-1984). Já a freqüência de “binge drinking” aumentou entre pessoas dos dois sexos. Já a proporção homem/mulher tem diminuído, passando de 10,55% (entre 1913 e 1932) para 2,66% (entre 1968 e 1984).

A continuidade da dependência na vida do entrevistado também aumentou para ambos os gêneros, mas proporção entre homens e mulheres diminuiu de 5,07% (de 1913 a 1932) para 1,97% (de 1968 a 1984), assim como o abuso do álcool, de 7,14% (entre 1933 e 1949) para 1,63% (de 1968 a 1984). Houve uma aproximação da taxa de abstinência, que sempre foi maior entre as mulheres.

Na opinião dos pesquisadores, a época do nascimento tem um efeito importante sobre a influência do gênero nas diferentes medidas de consumo de álcool e nas desordens relacionadas. Embora a participação dos homens tenha sido maior em todos os comportamentos e transtornos, tem-se testemunhado uma convergência entre os gêneros, especialmente em períodos mais recentes. Mecanismos biológicos e sociais, como maior aceitação do uso de álcool pela mulher, atualmente, e podem ajudar a explicar essas transformações. Outro resultado que chama a atenção na pesquisa é que o comportamento de “binge drinking”, que diminuiu entre os homens, tem aumentado entre as mulheres, indicando a necessidade de se desenvolver medidas de prevenção e tratamento específicos. Na avaliação dos autores, “deve-se incentivar estudos que examinem os fatores socioculturais que estejam encorajando a expressão de abuso e dependência do álcool entre as mulheres”.

Mais informações: www.cisa.org.br