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Autistas e o jogo da confiança

fevereiro de 2008
Human Neuroimaging laboratory/Baylor College of Medicine
A incapacidade de pessoas com autismo de formar uma imagem a respeito de si mesmo pode comprometer sua compreensão do mundo – até mais que a dificuldade de responder aos estímulos externos. Essa habilidade, relacionada ao funcionamento do córtex cingulado (área do cérebro responsável pelas interações sociais) foi estudada do ponto de vista neuroanatômico por pesquisadores do Baylor College of Medicine e os resultados do estudo, publicados em um artigo na Neuron. Os cientistas compararam imagens cerebrais de um grupo de adolescentes autistas de alto funcionamento (que têm sintomas da doença, mas inteligência preservada) com as de jogadores de futebol e baseball.

Os dois grupos foram submetidos ao “jogo da confiança”. Nele um participante recebe uma quantia em dinheiro da qual tira uma quantidade para enviar a outro jogador por uma mensagem eletrônica. A quantia enviada é triplicada e o participante que a recebeu decide quanto mandar de volta. Várias rodadas do tipo se seguem.

Não houve diferença quanto ao jeito de jogar nem em relação aos resultados: ao final do jogo todos obtiveram quantidades similares de dinheiro. Contudo, foi constatada uma diferença na atividade do córtex cingulado, muito mais brilhante entre os atletas e tanto mais obscura nos adolescentes que apresentavam sintomas mais severos de autismo. Segundo a pesquisa, isso pode ter ocorrido pelo fato de os autistas terem dificuldade de construir uma imagem subjetiva de si mesmos e, com isso, não saberem se a soma que dispunham se devia a uma conquista própria.

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram uma nova técnica, o hiperescaneamento, na qual diversos indivíduos, cada um conectado a um aparelho de ressonância magnética funcional, têm suas interações com os demais monitoradas simultaneamente. Desse modo, a técnica proporciona a possibilidade de análise das reações cerebrais subjacentes a diversas interações sociais. O método foi desenvolvido e testado nos últimos dois anos pela equipe de Read Montague, diretor do Laboratório de Neuroimagem e da Unidade de Psiquiatria Computacional do Baylor College.