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Autonomia com responsabilidade

Agentes de inclusão escolar descortinam o imaginário em torno das necessidades especiais

outubro de 2011
Laura Battaglia Cavalcanti, Lígia Hacker e Márcia Bonatelli
©Lisa F. Young/shutterstock
No imaginário coletivo, as necessidades especiais ainda soam como sinônimo de fragilidade ou incapacidade, e total dependência física ou psicológica do outro – crença que, em geral, impede ou retarda a conquista de autonomia de seus portadores.


Muitas vezes, “agentes de inclusão”, como os chama a psicanalista Sandra Dias, professora doutora da PUC-SP, são convocados a intervir nesse processo, dentro do âmbito escolar. O papel deles difere daquele do professor. Trata-se de algo bem específico: atuar diretamente nas representações em jogo na inclusão. Em permanente interlocução com professores, pais, profissionais externos e alunos, o agente de inclusão visa manter a criança com necessidades especiais num movimento saudável de aprendizagem. Acompanha suas atividades nas salas de aula e nos pátios, exercendo fundamentalmente dois papéis:

1- Intervenção direta na criança, nomeando e fornecendo a ela possíveis representações daquilo que nela se coloca como impedimento de ação ou de fala. Essa atitude, quando simbólica, permite ao que é aparentemente impossível se transformar em dificuldade superável pela criança. Isso desde a autonomia nos cuidados com o corpo até a construção de frases que apontam escolhas, descobertas, sentidos e desejos, ou seja, que orientam para a independência.

2- Trabalho com as pessoas que se relacionam com a criança, propondo-se a afastar tudo o que se refere ao universo imaginário que ronda as necessidades especiais e encobre as dificuldades envolvidas no trabalho escolar. Cabe ao agente assegurar aos profissionais e aos pais uma atitude digna com relação à criança, suportando suas faltas ou seus déficits, que, se nas deficiências se expressam como problemas motores, cognitivos ou de fala, no geral são inerentes a todo e qualquer processo de aprendizagem.