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Avanços no tratamento da esclerose múltipla

fevereiro de 2009
Cortesia de Franz Schelling
Ilustração feita pelo neurologista francês Jean-Martin Charcot (1825-1893), publicada em 1867 na tese de um de seus alunos, mostrando lesões cerebrais da esclerose múltipla.
Parceria entre pesquisadores americanos e brasileiros traz boas notícias para os pacientes que sofrem de esclerose múltipla e não respondem ao tratamento com medicamentos. O estudo será publicado na edição de março da revista The Lancet Neurology.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica progressiva, de causa auto-imune, em que anticorpos atacam a bainha de mielina que recobre os neurônios, levando a problemas motores irreversíveis. No estudo, os cientistas conseguiram reverter déficits neurológicos em estágios iniciais nos pacientes refratários à terapia medicamentosa com transplante de células-tronco dos próprios indivíduos.

No Brasil, a pesquisa foi coordenada pelo hematologista Julio Cesar Voltarelli, do Centro de Terapia Celular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Os pacientes foram tratados com quimioterapia para danificar seus sistemas imunológicos. Em seguida, foram injetadas as células-tronco obtidas do sangue de cada um antes da quimioterapia, de modo a “iniciar” um novo sistema imunológico.

Os voluntários experimentaram melhorias em pontos afetados pela esclerose múltipla, como o ato de andar, a força nos membros, a perda da coordenação motora, visão e incontinência urinária. Três anos após o procedimento, 17 participantes (81%) apresentaram melhora em pelo menos um ponto na escala de incapacidade e a doença se estabilizou em todos os 21. Apesar do sucesso, os pesquisadores ressaltam que os resultados do trabalho precisam ser confirmados por novos estudos. O grupo vai iniciar em breve uma nova fase da pesquisa, com um número maior de pacientes. (Com informações da Agência Fapesp)