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Bebês alemães choram diferente dos franceses

Antes do nascimento crianças já se dão conta das características melódicas da língua materna

novembro de 2010
imagens: © shutterstock
Já nos primeiros dias de vida os recém-nascidos imitam a língua materna. Isso foi o que constatou uma equipe de psicólogos especialistas em desenvolvimento coordenados por Kathleen Wermke, da Universidade de Würzburg, na Alemanha. Com a ajuda de uma análise fonética, os pesquisadores examinaram o choro de 30 recém-nascidos com menos de 5 dias e 30 franceses enquanto suas fraldas eram trocadas. Wermke e seus colegas perceberam que os bebês choravam de forma parecida com a fala dos adultos. A entonação composta por altura e intensidade se desenvolvia de forma característica: a curva do som produzido pelos alemãezinhos atingia seu ponto máximo rapidamente e, em seguida, voltava a cair. Já entre os francesinhos crescia apenas no final do choro. Esses perfis sonoros caracterizam não apenas a melodia da frase, mas também das palavras na fonética de cada língua. Na palavra “mama” em alemão, por exemplo, o acento está na primeira sílaba e no francês, “maman”, na última.


“Aparentemente, antes do nascimento as crianças já percebem as características melódicas da língua materna”, explica a psicolinguista Angela Friederici, do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e Neurológicas em Leipzig. Até agora os cientistas duvidavam que recém-nascidos pudessem imitar por meio do choro o “sotaque” dos adultos tão pouco tempo após o nascimento. Eles supunham que a melodia do choro era muito mais influenciada pelo ritmo respiratório, pois devido à pouca idade eles não conseguiam controlar suficientemente a laringe e os pulmões.