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Bebês diferenciam o “latido amigo” de um rosnado

Cérebro infantil está preparado para reconhecer a carga emotiva de estímulos auditivos; capacidade sugere existência de base neural inata

setembro de 2009
© PATRICIA MCDONOUGH/CORBIS/LATINSTOCK
MUITO ANTERIOR À LINGUAGEM: reconhecimento emocional é uma das primeiras habilidades adquiridas ao longo do desenvolvimento
Aos seis meses os bebês já são capazes de perceber as emoções expressas tanto pelo latido como na postura de cães. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Brigham Young University, em Provo, no estado americano de Utah – os mesmos pesquisadores que há alguns anos demonstraram que crianças nessa idade podiam detectar variações emocionais em músicas de Beethoven. Segundo artigo publicado na revista Developmental Psychology, os cientistas primeiro mostraram aos pequenos duas fotos do mesmo cachorro – numa delas o animal estava em postura agressiva, pronto para o ataque, e na outra mostrava-se simpático e brincalhão. Enquanto os bebês ainda tinham as imagens diante deles, foram apresentadas duas gravações, em ordem aleatória, uma com rosnados ameaçadores e outra com latidos fanfarrões.

Os bebês associaram, imediatamente, o som à imagem: enquanto ouviam os rosnados, direcionavam o olhar para a foto do cão bravo; e ao escutar os latidos amistosos procuraram a imagem do cãozinho com postura simpática. O experimento foi feito apenas uma vez, para evitar qualquer tipo de aprendizado decorrente da repetição dos estímulos. Segundo os autores, esses resultados mostram como o cérebro infantil está preparado, mesmo em idade precoce, para reconhecer a carga emotiva de estímulos auditivos emitidos não apenas por pessoas, mas originados de um espectro de sons vindos do que os especialistas chamam de “mundo social”. De acordo com o psicólogo e coordenador da pesquisa, Ross Flom, o reconhecimento emocional é uma das primeiras habilidades desenvolvidas pelos humanos, muito antes da linguagem. A precocidade com que bebês demonstram essa capacidade sugere a existência de uma base neural inata, sobre a qual outras habilidades cognitivas se assentam.