Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Bebês no ciberespaço

Contato precoce com informática pode ser usado a favor da educação

dezembro de 2007
Apoena Pinheiro/UnB Agência
(Agência UnB) − Eles têm apenas dois anos e já estão navegando na Internet. Oito alunos do maternal 1 de uma escola de Brasília participaram durante três meses de atividades direcionadas para o entrosamento no ciberespaço. Durante a experiência, a pesquisadora Nanci Martins de Paula observou a interação das crianças entre si e com o computador. Depois dos primeiros contatos, Nanci percebeu que poderia ir além das aulas no laboratório de informática e entrou com as crianças-bebê na Internet. “Pudemos perceber a curiosidade no reconhecimento da existência de outra pessoa no espaço virtual. Também identificamos o uso da criatividade e da imaginação ao descobrir as possibilidades de ver, ouvir, enviar e receber mensagens de alguém que não estava no mesmo lugar que elas”, relata Nanci. Segundo ela, isso mostra que, apesar de terem apenas dois anos, os alunos já percebem as possibilidades de se relacionar com o outro no ciberespaço.

“Apresentar o mundo virtual como ferramenta educativa a crianças dessa idade é uma iniciativa que, se acompanhada pela família, poderá influenciar no comportamento para o uso da Internet como meio sadio de interação com outros”, considera a pesquisadora. Nanci e os professores que avaliaram a pesquisa desconhecem registros de pesquisa similar no Brasil. “É provável que nosso seja o primeiro com crianças dessa idade em atividade escolar. O objetivo era lançar as crianças no ciberespaço com a mediação dos professores. Quanto mais cedo, melhor. Nosso mundo hoje tem uma ligação muito forte com o ciberespaço”, explica.

As crianças que participaram da pesquisa têm uma aula por semana com duração de 40 minutos no laboratório de informática do Colégio Santa Dorotéia e foram observadas durante três meses. E os resultados da experiência superaram as expectativas dos professores.]
EDUCAÇÃO – A pesquisa foi desenvolvida no âmbito da disciplina Arte, Cultura, Educação e Ciberespaço, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de Brasília (UnB), cujas aulas são ministradas pelo professor Lúcio Teles. O sucesso do projeto foi celebrado pelos docentes da FE, por membros da direção, professoras e dirigentes da escola e familiares dos alunos.

“As crianças reconheceram uma experiência nova. Elas conseguiram se comunicar, utilizando o computador conectado à Internet, por meio de emoticons, da fala em chats, das imagens e sons on-line, transmitidas pelas webcams”, explica Nanci. De acordo com outros professores participantes, as crianças se sentiram muito à vontade com a experiência e aprenderam muito. Muitas delas melhoraram o desempenho nas aulas de informática educativa, e algumas tiveram mais facilidade no desenvolvimento da fala.

As atividades desenvolvidas durante a pesquisa ajudaram as crianças a quebrar as barreiras entre elas e o computador, do espaço físico e propiciaram o reconhecimento do outro e de si no mundo virtual. A experiência foi tão proveitosa que a escola integrou o trabalho no seu projeto pedagógico. Para a professora responsável pelo estudo, esse tipo de iniciativa contribui para entender a importância do ciberespaço na educação de crianças cada vez mais jovens e abre o campo para novas pesquisas.