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Bebês prematuros distinguem objetos pelo tato

Vias neurais responsáveis pelo processamento de habilidades motoras já estão amadurecidas após a 33ª semana de gestação, indica estudo francês

abril de 2010
© damir cudic/istockphoto
Recém-nascidos têm sensibilidade tátil surpreendente; fato explica por que o contato físico, sobretudo com a mãe, é fundamental nessa fase
Recém-nascidos não enxergam nem ouvem muito bem, mas sua sensibilidade tátil é surpreendente. Antes mesmo do nascimento a capacidade manual para discriminar objetos já está bem desenvolvida, como verificaram pesquisadores da Universidade de Grenoble, na França, ao estudar prematuros nascidos após 33 semanas de gestação. O artigo publicado na revista PLoS One é o primeiro a mostrar que esses bebês, tal como os que nascem no tempo previsto, apresentam um aparato neural maduro para essa habilidade, preferem a novidade e, portanto, já estão aprendendo.

Foram analisados 24 prematuros que pesavam, em média, 1,5 kg. Como a maioria deles precisa de cuidados médicos especiais na primeira semana de vida, os testes foram realizados 15 dias após o parto. O experimento se baseou no conceito da habituação, no qual os bebês, uma vez expostos a diferentes estímulos sensoriais, exibem maior interesse pela sensação nova e respondem cada vez menos àquilo que já foi apresentado.

Os pesquisadores colocaram na mão dos bebês um prisma e um cilindro, de forma alternada e repetida. Se fossem mesmo capazes de discriminar os dois objetos, os pequenos os segurariam por mais tempo quando fossem apresentados pela primeira vez, manipulando-os menos tempo na segunda vez, e assim sucessivamente. Quando o estímulo fosse trocado (o prisma pelo cilindro, e vice-versa), eles demorariam mais tempo para soltar o objeto. Foi exatamente o que aconteceu, sem haver diferença entre os testes que usaram a mão direita ou a esquerda.

Os resultados são surpreendentes também porque a coordenação motora dos bebês nessa idade é bastante limitada, o que mostra a maturidade dos receptores táteis e das vias neurais responsáveis pelo processamento desse tipo de estímulo. É bem possível que essa habilidade esteja bem desenvolvida também em outras partes da superfície corporal, o que explicaria a importância do contato físico – sobretudo com a mãe – nessa fase inicial da vida, segundo os autores. Para eles, essas evidências devem ajudar profissionais de neonatologia a otimizar a manipulação dos bebês prematuros para reduzir o estresse do ambiente hospitalar.