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Bibliotecas para bebês

Livros estimulam os sentidos e despertam o gosto dos pequenos pela leitura e pela escrita

junho de 2008
T-Design/Shutterstock
Os sons e as palavras estão presentes desde a remota infância. Mais do que isso: precedem nossa entrada no mundo. Antes de nascer, já estamos imersos no universo da linguagem: fazemos parte de uma história, plena de significados a serem descobertos e construídos simbolicamente. O recém-nascido, antes mesmo de enxergar com clareza o ambiente, responde com o corpo e com vocalizações à fala prosódica dos adultos que dele cuidam e aos ruídos ao seu redor. Cantigas, histórias, cores e texturas são fundamentais nesse processo – estímulos necessários ao desenvolvimento cognitivo, que se inicia no cérebro e se completa nas interações com o meio, numa fina articulação dos sentidos com a memória, a atenção, o raciocínio, as representações e a linguagem.

Um instrumento que começa a ser utilizado agora no Brasil, para aprimorar esse processo e ainda despertar o gosto futuro pela escrita e leitura, são as bibliotecas para bebês e crianças em idade pré-escolar, também conhecidas como bebetecas. Algumas experiências já estão sendo realizadas com sucesso em escolas públicas e particulares. O Centro Municipal de Educação Infantil Cavalinho de Pau, na cidade de Castro, Paraná, é pioneiro nessa iniciativa, atendendo cerca de 130 crianças com idade entre zero e 5 anos, em uma perspectiva de desenvolvimento global. Para isso, a escola disponibiliza aos pequenos e ávidos “leitores” não apenas livros que exploram os sentidos e a imaginação, mas também bonecos, jogos e vídeos. As mães podem participar, contando história aos filhos. Experiências semelhantes têm sido feitas no Centro de Educação Infantil Hilca Piazero Schnaider, em Blumenau, Santa Catarina; e no Colégio Objetivo, de Sorocaba, São Paulo.

Hoje se sabe que desde muito cedo os bebês já se lembram de coisas e comparam suas características. Aos 7 meses, conseguem diferenciar classes de objetos; aos 9, têm um aumento considerável no tempo de retenção na memória de informações ligadas a eventos; e aos 18 são capazes de compreender as figuras apenas na representação de algo real. Por tudo isso, eles têm muito a se beneficiar com projetos como esse, que visa estimular o desenvolvimento da memória, da linguagem oral e escrita, do raciocínio, da capacidade de concentração, bem como promover interações sociais. Mais informações: Boletim PNLL no 104, 19 a 25/5/2008, ou no site www.vivaleitura.com.br