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Bienal de SP traz arte para fazer pensar

Com trabalhos de artistas de vários países, o evento privilegia a interatividade

novembro de 2010
imagens: divulgação
Entrada da instalação A origem do terceiro mundo
Ver, tocar, sentir, ouvir. Os sentidos humanos são convidados a entrar em ação na 29ª Bienal de São Paulo. Com a proposta de colocar os visitantes em contato com diversas maneiras de pensar e se relacionar com os objetos, esta edição privilegia a interação do público com as mais de 850 obras feitas por 160 artistas de vários países. A mostra tem um cunho político, mas no seu sentido é mais amplo. A palavra de ordem é a interatividade, uma característica de várias instalações.


Uma das mais curiosas é A origem do terceiro mundo, de Henrique Oliveira, um túnel que leva a um labirinto cuja entrada remete à imagem do órgão sexual feminino. A obra foi inspirada no quadro A origem do mundo (1866), do francês Gustave Courbet, que na época causou alvoroço ao retratar uma mulher com as pernas abertas. O visitante é convidado a entrar por uma porta no formato de uma vagina gigante. Lá dentro, encontra outros túneis construídos com compensados de madeira. O chão e as paredes sinuosas lembram o interior de uma caverna. A dupla de artistas brasileiros Marilá Dardot e Fábio Morais, autores de Longe daqui, aqui mesmo, também construiu um labirinto com referências a obras de Franz Kafka e Lewis Carroll. Os corredores levam ao interior de uma casa que se transforma em biblioteca, e os visitantes podem fazer doações de livros. Localizada no segundo andar, o projeto do artista Ernesto Neto, Lembrança e esquecimento, oferece nichos para sentar. A proposta é que seja um espaço para descanso e reflexão, que cria uma pausa ao ritmo do passeio, um lugar para sentar, deitar, fechar os olhos. A discussão sobre a reforma antimanicomial também está presente na obra da artista plástica espanhola Dora García, na videoinstalação The deviant majority (A maioria depravada). Ela apresenta um filme de 40 minutos que retrata uma investigação feita pela própria artista no Hospital San Giovanni (ex-hospital psiquiátrico de Trieste, Itália). O documentário traz o caso bem-sucedido de tratamento das doenças mentais que emblematiza ideias políticas do debate sobre a antipsiquiatria.