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Brasil desenvolve marca-passo contra depressão

Aparelho ajuda pacientes que não respondem ao tratamento tradicional corrigindo o déficit de neurotransmissores com estímulos elétricos

maio de 2017
Gabriel Seixas
LEWIS R. BAXTER, JR. UNIVERSITY OF ALABAMA AT BIRMINGHAM, 1985 ARCHIVES OF GENERAL PSYCHIATRY
Imagens obtidas por meio de PET (à dir.) mostram o cérebro de um paciente que oscilava de forma cíclica entre depressão (parte superior), o humor exaltado (meio) e novamente a depressão (parte inferior). A série apresenta os diferentes padrões de atividade nos dois estados. Os níveis de atividade são indicados por um espectro que vai desde o azul (atividade mais baixa), passando pelo verde, amerelo e o vermelho (atividade mais alta).
A depressão é a maior causa de afastamento do trabalho e de suicídios, afetando 322 milhões de pessoas no mundo. Desse total, pelo menos 20% dos casos não respondem ao tratamento convencional – com drogas e psicoterapia, o que é um grande desafio para cientistas e profissionais da área da saúde. Mas agora um grupo de pesquisadores brasileiros pode ter encontrado uma opção para esses pacientes.

Um estudo conduzido pelo Hospital do Coração (HCor), em parceria com o Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), usou marca-passos para controlar os sintomas e obteve resultados satisfatórios. O estudo durou cerca de dois anos e contou com a participação de 20 pacientes divididos em dois grupos: no primeiro foram implantados eletrodos na região da testa, ligados cirurgicamente a um marca-passo localizado abaixo da axila. O segundo grupo foi tratado com adesivos colocados acima da sobrancelha, durante a noite, por 12 semanas.


O objetivo era testar o nervo trigêmeo, importante via de acesso ao cérebro que confere sensibilidade à face, e verificar qual estímulo era mais eficaz. “A estimulação contínua por meio do marca-passo ou o adesivo colocado à noite”, afirma Antonio De Salles, chefe do HCor Neuro, núcleo do hospital especializado em neurologia, neurociência e neurocirurgia. “Os pacientes que receberam o implante do marca-passo apresentaram resultados mais eficazes”, diz a neurocirurgiã Alessandra Gorgulho, da mesma instituição, que participou da coordenação do estudo. Segundo ela, o adesivo externo causa uma melhora na doença, mas não duradoura.

De 2005 a 2015, o número de pessoas que sofrem de depressão cresceu 18,4%. Já no Brasil, 5,8% da população sofre com esse problema. O país apresenta a maior prevalência da doença em toda a América Latina.