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Brinquedos ajudam ratos a recuperar memória

Segundo neurologista, essas descobertas terão um significado especial no tratamento de pessoas que sofrem de doenças como Parkinson e Alzheimer

maio de 2007
© Gina Smith/Dreamstime
Ratos que perderam um número significativo de neurônios devido a processos neurodegenerativos conseguiram recuperar a memória e a capacidade de aprender graças a um ambiente enriquecido com brinquedos e outros estímulos sensoriais. A recuperação cognitiva desses animais foi comparável à obtida por outros que, partindo de uma situação análoga, foram tratados com drogas que estimulam o crescimento neuronal.

Publicado na Nature por pesquisadores do Instituto Médico Howard Hughes, o estudo sugere que a expressão “perda de memória” pode ser inadequada para descrever o déficit mnemônico resultante de processos neurodegenerativos. “As lembranças continuam lá, embora inacessíveis devido à degeneração neuronal”, diz o neurologista Li-Huei Tsai. “Creio que essas descobertas terão um significado especial no tratamento de pessoas que sofrem de doenças como Parkinson e Alzheimer.”

Há tempos se sabe que um ambiente rico em estímulos sensoriais pode melhorar a capacidade de aprender dos ratos, mas Tsai e seus colegas demonstraram que isso vale também quando um grande número de neurônios já foi perdido. Além disso, eles observaram um fator importante para essa recuperação funcional: a remodelação do material genético dos neurônios.
Nos últimos cinco anos, o grupo de Tsai criou e aperfeiçoou um modelo murino para a doença de Alzheimer. Primeiro eles demonstraram que a proteína p25 contribui para a neurodegeneração; depois, modificaram geneticamente uma linhagem de ratos, nos quais eram capazes de ativar a expressão da proteína p25 em diversos estágios do desenvolvimento. Seis semanas depois da ativação a dificuldade de aprendizado e a perda de memória se manifestavam muito claramente, acompanhadas de deterioração sináptica e de problemas nos mecanismos de potencialização − processo essencial na formação de memórias de longo prazo.

Em seu mais recente experimento, os cientistas ativaram a proteína p25 em ratos idosos, induzindo atrofia cerebral e morte neuronal, que logo foram seguidas de déficit cognitivo. Então foi introduzida, no ambiente em que estes animais viviam, uma grande quantidade de objetos estimulantes − como rodas de atividade e uma série de brinquedos coloridos com várias formas e texturas que eram substituídos diariamente. Depois de certo tempo, observou-se melhora das faculdades mnemônicas e intelectuais; o mesmo não aconteceu nos ratos mantidos em ambientes de controle.