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Cabecear a bola pode trazer danos cognitivos

Resultados iniciais sugerem que os danos dos impactos se acumulam com o tempo

março de 2014
Herbert Kratky/Shutterstock

O "gol de cabeça" é considerado por muitos um dos pontos altos de um jogo de futebol. Mas há indícios de que cabecear pode trazer prejuízo cerebral ao jogador. Um estudo preliminar da Universidade Yeshiva, em Nova York, mostra que a técnica de bater a bola com a cabeça pode afetar o cérebro e a cognição. Ao comparar neuroimagens de 37 jogadores amadores, com idade entre 21 e 44 anos, os pesquisadores observaram que o cérebro daqueles que diziam cabecear com mais frequência apresentava padrões de alterações microestruturais na substância branca semelhantes aos de pacientes com lesão cerebral traumática (TBI, na sigla em inglês).

Esses jogadores também se saíram pior em testes cognitivos que os que cabeceavam menos. Os resultados, publicados no Radiology, apontam inclusive um limiar de cabeceadas, 1.800, para que efeitos negativos na memória comecem a se manifestar. Segundo o neuroradiologista Michael Lipton, coordenador do estudo, os impactos causam pequenas concussões que tendem a se acumular com o tempo.

“Os resultados estão longe de ser conclusivos”, comenta o neuropsicólogo Jonathan French, do Programa de Concussão em Medicina Esportiva do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, não envolvido com o estudo. “A maioria dos jogadores de futebol que têm concussões não apresenta problemas funcionais no dia a dia”, diz. As mudanças estruturais detectadas, pontua, “são tão microscópicas que não podemos dizer com certeza qual seu efeito a longo prazo”.

 

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