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Café pode ajudar a prevenir demência

Bebida está relacionada à diminuição do risco de depressão e de perda cognitiva

 

março de 2015
ARTE DE JOÃO SIMÕES SOBRE IMAGENS SHUTTERSTOCK

O café e o chá podem ser mais do que apenas estimulantes – ajudam também a manter o cérebro saudável, de acordo com diversos estudos recentes. Os cientistas têm associado essas bebidas a uma maior proteção contra depressão, Alzheimer e Parkinson.

Um grande estudo acompanhou mais de 250 adultos por dez anos para investigar a relação entre transtorno psíquico e ingestão de café, chá e bebidas doces. Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos registraram os hábitos de consumo de cada tipo das bebidas em 1995 e 1996. Em uma segunda etapa, já nos anos 2000, entrevistaram os participantes, parte dos quais relatou diagnósticos de depressão. Os resultados, publicados na PLoS ONE, mostraram que a ingestão de café foi associada com risco ligeiramente mais baixo de desenvolver o transtorno.

A pesquisa não encontrou efeitos significativos relacionados ao consumo de chá, mas outros trabalhos apontam sua função protetora. Um deles, divulgado em 2013, revelou que chineses adultos que ingeriam regularmente qualquer tipo de bebida preparada por infusão apresentavam risco significativamente reduzido de desenvolver depressão: 21% entre aqueles que bebiam chá entre um e cinco dias por semana e 41% entre os que o tomavam diariamente. Os cientistas investigaram também as atividades de lazer dos participantes para garantir que a bebida, e não o momento de socialização, estava relacionada ao efeito protetor.

Algumas pesquisas sugerem que quem costuma consumir café e chá apresenta também menor incidência de declínio cognitivo. Alguns estudos com roedores se concentram em acompanhar o possível efeito de compostos específicos dessas bebidas na redução do risco de Alzheimer e Parkinson. Um trabalho publicado on-line na Neurobiology of Aging mostra que a complementação da dieta dos ratos com um componente chamado eicosanoyl-5--hydroxytryptamide (molécula encontrada no café) ajudou a proteger o cérebro dos animais contra as alterações patológicas típicas do Alzheimer. Em 2013, outro experimento demonstrou os mesmos efeitos protetores do composto em modelos de ratos com Parkinson. A cafeína não só ajuda a defender o cérebro mas também a reparar danos. Um artigo publicado em setembro na mesma revista demonstra que misturar o estimulante na água potável dos camundongos, além de impedir alterações na memória espacial, ajudou a reduzir os emaranhados de proteínas que se acumulam no cérebro com Alzheimer.

Ainda é cedo para afirmar que o café e o chá protegem o cérebro, mas a maioria dos pesquisadores concorda: manter o hábito diário não faz mal a ninguém.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição de março da Mente e Cérebro, que pode ser adquirida na Loja Segmento: http://bit.ly/184InXR

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