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Capacidade de distinguir seres vivos de inanimados é inata

Informações sobre objetos são enviadas para diferentes áreas do cérebro

fevereiro de 2011
© paul cotney/shutterstock
A estrutura inata do cérebro reflete o modo como classificamos o mundo. Primeiro imagine um ser vivo, pode ser um cão; em seguida pense em algo inanimado, como um martelo. Você acabou de ativar duas áreas distintas de seu córtex visual, a região do cérebro que processa a visão. O simples ato de pensar em um cão estimula uma área que lida com objetos animados, enquanto o martelo “acessa” a área dos inanimados. Entretanto, um novo estudo demonstra algo surpreendente: mesmo que você nunca tivesse visto um cão ou um martelo a mesma região de seu cérebro seria estimulada na primeira vez que olhasse para um deles.


O psicólogo Alfonso Caramazza, da Universidade Harvard, provou que o córtex visual funciona da mesma forma tanto em pessoas que enxergam como em cegos. “A descoberta desafia a tradicional ideia de que as duas regiões de processamento existem apenas como resultado do hábito de reconhecer as diferenças da aparência”, afirma o neurocientista Marius Peelen, da Universidade de Princeton, que participou do estudo. Caramazza sugere que isso acontece graças a conexões com as outras áreas neurais. Informações sobre objetos animados e inanimados são enviadas para diferentes áreas do cérebro. Assim, sabemos que alguns animais podem nos atacar e se tornar perigosos, as
não precisamos fugir de um martelo”. As novas descobertas sugerem que a rede de conexões que liga o córtex visual com outras regiões é inata – não precisa se formar gradualmente, baseando-se em novas informações. Ou seja, a organização cerebral deve ser compreendida em termos evolutivos. A estrutura do cérebro humano é formada de modo que possamos distinguir vítimas de agressores.