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Celulares, MP3 e animais de estimação

Para amenizar angústia, seres humanos atribuem estados mentais complexos a bichos e objetos

março de 2008
©KRISTIAN SEKULIC/SHUTTERSTOCK
Antropomorfismo é mecanismo que protege o psiquismo do isolamento afetivo
Atribuir qualidades humanas a animais de estimação é uma forma de as pessoas aliviarem o sofrimento causado pela solidão, segundo pesquisa da Universidade de Chicago publicada na revista Psychological Science. Até aí nenhuma novidade. O curioso é que essa identificação não se estende apenas aos bichos. “Quando o indivíduo perde os elos afetivos com seus semelhantes, ele tende a descrever também objetos pessoais, especialmente os eletrônicos, como celulares e tocadores de mp3, como se fossem dotados de raciocínio”, explica o psicólogo Nicholas Epley, coordenador do estudo.

O pesquisador realizou diversos experimentos nos quais isolou voluntários durante várias semanas e os fez escrever pequenos textos sobre temas indicados pelos pesquisadores, como bichos de estimação. “Com o passar dos dias, cresceu a tendência de descrever os animais como se eles fossem humanos”, diz.

O autor cita o filme O náufrago, protagonizado por Tom Hanks, para explicar o fenômeno. Para conseguir lidar com a solidão da ilha deserta, o personagem inventa um amigo chamado Wilson, que nada mais é que uma bola de voleibol. “Os pesquisadores chamam isso de antropomorfismo – trata-se de um mecanismo que protege o psiquismo contra os efeitos devastadores da privação social.” A solidão pode ser uma experiência dolorosa e mortal; como fator de risco para diversas doenças, é ainda mais preocupante que o tabagismo, afirma Epley.