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Chega de desculpa

Estudo da Unifesp indica que o convívio com outros fumantes não influencia taxa de sucesso do tratamento para dependência de tabaco

dezembro de 2007
Divulgação
(Unifesp) − Estudo do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da Unifesp mostra que a presença de outros fumantes no domicílio não altera as taxas de sucesso no tratamento do tabagismo em pacientes motivados, contrariando o que costuma ser referido pelos próprios fumantes.

O resultado da pesquisa vai contra a crença geral dos especialistas na “má influência” de quem convive com fumantes. Existem variáveis que reconhecidamente podem interferir no tratamento do tabagismo, como presença de doenças psiquiátricas e dependência de nicotina. Porém, pouco se sabe sobre o impacto da presença de outros fumantes no domicílio para o sucesso do tratamento do tabagismo, apesar de muito referido pelos fumantes.

Para determinar se a presença de outros fumantes no domicílio interfere no resultado de curto prazo no tratamento do tabagismo, foram entrevistados, prospectivamente, 513 fumantes que procuraram o PrevFumo entre janeiro de 2001 e julho de 2006, para obter tratamento especializado para parar de fumar. Destes, 58,1% relataram não ter outros fumantes no domicílio e, 41,9%, moravam com pelo menos um outro fumante.
Entre os participantes da pesquisa, 64,7% eram do sexo masculino, com idade média de 47 anos e alta dependência de nicotina. A dependência começou antes dos 18 anos para 77,6% dos pesquisados, com consumo médio diário de 24 cigarros e tempo de tabagismo de cerca de 30 anos.

De acordo com o coordenador do PrevFumo e autor da pesquisa, Sergio Ricardo Santos, após o tratamento farmacológico e de terapia em grupo, 58,5% pararam de fumar. Destes, 58,7% não tinham outros fumantes no domicílio. Entre os que moravam com outros fumantes, o número foi parecido: 58,1%.

“A presença de outros fumantes no domicílio, embora pudesse gerar gatilhos para recaídas, não alterou as taxas de sucesso no tratamento do tabagismo em pacientes motivados”, afirma o pneumologista. “O reconhecimento antecipado de variáveis, sejam elas modificáveis ou não, que possam interferir no sucesso do tratamento do tabagismo é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento.”