Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Chegam a São Paulo as alucinações táteis de Yayoi Kusama

Obras da artista japonesa, baseadas nos delírios que a levaram a viver em uma instituição psiquiátrica, são reunidas no Instituto Tomie Ohtake

maio de 2014
Divulgação
As alucinações visuais da japonesa Yayoi Kusama começaram na infância. São redes, pontos e círculos coloridos que há cerca de oito décadas surgem diante de seus olhos – e que ela reproduz de maneira obsessiva em suas obras. “Repito, repito, repito, até me esquecer de mim. Chamo isso de obliteração”, diz a artista de 84 anos sobre as pinturas, colagens e esculturas fálicas salpicadas de bolinhas que a tornaram um dos nomes mais conhecidos da pop art. Mais de 100 de suas obras estão expostas na retrospectiva Obsessões infinitas, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Yayoi vive há mais de 30 anos numa instituição psiquiátrica no Japão, onde se internou por vontade própria, com sintomas de transtorno compulsivo-obsessivo (TOC) e delírios. “Não quero curar meus problemas mentais, pois são força geradora de minha arte”, disse Yayoi, que afirma abandonar os medicamentos psiquiátricos quando está trabalhando em alguma obra.

Um dos destaques da exposição é o quarto espelhado Campo de falos, onde o visitante pode caminhar entre milhares de esculturas de pênis com bolas vermelhas e brancas. “Meu pai tinha amantes e minha mãe me enviava para espiá-lo. Tive uma obsessão por sexo”, explicou ela sobre a reprodução sem fim de estruturas fálicas. Há também uma instalação interativa, a Sala da obliteração: um espaço onde o espectador pode decorar paredes vazias com adesivos de círculos coloridos, no estilo de Yayoi.

Obsessões Infinitas. Instituto Tomie Ohtake. Avenida Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros. De terça à domingo, das 11h às 20h. Informações: (11) 2245-1900. Gratuito. De 22 de maio à 27 de julho.

Leia mais

Pinturas cegas

De olhos vendados, a japonesa Tomie Ohtake produziu, nos anos 50 e 60, telas que são agora expostas no Rio de Janeir

Bichos soltos da mente

Povoado por animais e meórias ancestrais, o trabalho de Wilma Martins, em exposição no Rio de Janeiro, evoca conceitos junguianos