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Cheirar, comer, aprender

Os aromas aos quais o recém-nascido tem acesso afetam sua sensibilidade química e suas preferências alimentares

dezembro de 2013
Claudio Divizia/Shutterstock

Experiências olfativas da primeira infância podem influir na organização de nossos conhecimentos sobre o mundo a ponto de influenciar nosso sistema de gosto, preferências alimentares e sociais?

Os aromas da alimentação materna transmitidos durante a gestação passam também ao colostro (primeiro líquido segregado pelas glândulas mamárias depois do parto) e ao leite, configurando assim uma primeira ponte olfativa por cima da ruptura que o nascimento representa. A mãe possibilita que o recém-nascido se aclimate ao meio pós-natal, suavizando a transição e facilitando a interação com as explorações que movem todos os seus sentidos. A adaptação sensorial do bebê prossegue por meio da amamentação e dos contatos com a mãe.

Os odores associados à amamentação podem implicar preferências muito estáveis: um aroma de camomila, se aplicado ao seio da mãe durante as primeiras semanas de lactação, será preferido a outros, em alguns casos durante mais de um ano. O bebê memoriza também as características aromáticas do leite e tende a buscá-lo posteriormente. Assim, a experiência olfativa reiterada do leite materno modularia as preferências do bebê no momento do desmame, quando provará pela primeira vez alimentos que não o leite.

Da mesma maneira, crianças alimentadas durante os cinco primeiros meses com leite artificial que contenha componentes de odor desagradável amargos e ácidos preferem, aos 4 ou 5 anos (em relação aos bebês amamentados), as bebidas ácidas ou os alimentos amargos, como o brócolis. Aprendizados precoces podem ser determinados por um aroma dominante, porém estão também marcados pela variedade de aromas encontrados durante o crescimento. De acordo com a diversidade de sua própria alimentação, a mãe expõe a criança a uma variedade maior ou menor de sensibilidade química.

A forma com que se alimenta o bebê (com leite materno ou leite artificial) opõe dois grupos de crianças; os alimentados com leite materno estão expostos, ao longo de uma mesma amamentação e de outra, a sensações olfativas e gustativas flutuantes, enquanto os bebês alimentados com um produto lácteo recebem impressões quimiossensoriais muito menos variadas.

Ainda que desconheçamos as consequências funcionais da alimentação precoce, sabe-se que influencia as reações da criança às novidades alimentares: os recém-nascidos alimentados no peito são mais propensos a aceitar alimentos novos.

 

Você leu um trecho da matéria Um cheiro que vem da infância, da edição nº 251 da revista Mente e Cérebro. Adquira já sua revista para saber mais.