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Chocolate amargo protege o cérebro contra lesões

Estudos feitos com substância encontrada no cacau abrem perspectivas para o desenvolvimento de fármacos para combater doenças neurodegenerativas como Alzheimer

junho de 2010
Luciana Christante
©IVAN DUBÉ/STOCKPHOTO
O chocolate amargo anda bem cotado entre os cientistas. Pesquisas realizadas nos últimos anos já mostraram que ele ajuda a combater o estresse e a depressão, além de fazer bem a pacientes com doenças do fígado. Agora, um estudo recente indica que a guloseima pode proteger também o cérebro contra lesões causadas por derrame. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram que uma substância presente apenas no chocolate amargo (não na versão tradicional ou branca) estimula um tipo de sinalização celular que protege os neurônios dos danos causados por acidente vascular cerebral (AVC).

O estudo publicado no Journal of Cerebral Blood Flow and Metabolism foi realizado em camundongos. Noventa minutos depois de administrarem uma pequena dose de epicatequina – nutriente encontrado no cacau –, os cientistas induziram um derrame isquêmico, por meio da interrupção da irrigação sanguínea no cérebro dos animais. O resultado foi um número significativamente menor de lesões do tecido cerebral em comparação aos camundongos que passaram pelo mesmo procedimento, mas sem ter recebido a dose do composto.

O interesse científico pela epicatequina surgiu com pesquisas feitas entre os índios kuna, que vivem em ilhas na costa do Panamá. A incidência de acidentes vasculares nessa população é muito baixa, o que é atribuído ao alto consumo de uma bebida escura e amarga feita à base de cacau. Posteriormente, estudos in vitro mostraram que a epicatequina não protege diretamente as células contra lesões, mas seus metabólitos parecem ativar vias bioquímicas que fazem com que as células aumentem suas próprias defesas. O que tem surpreendido os pesquisadores é o fato de esse efeito ocorrer em resposta a doses muito baixas da substância.

Os autores alertam que os dados obtidos até agora não autorizam o consumo exagerado de chocolate amargo, que, aliás, é rico em gordura saturada. Segundo eles, as evidências abrem boas perspectivas para o desenvolvimento de uma nova droga que pode ser útil para combater doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outros tipos de demência.