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Chuvas podem aumentar número de casos de autismo

Estudo americano reforça tese de que fatores ambientais influem no aparecimento da patologia

janeiro de 2009
© KARYN KUDRNA/ISTOCKPHOTO
Especialistas ressaltam caráter preliminar da pesquisa realizada nos Estados Unidos e consideram que o transtorno seja causado por combinação de fatores
A prevalência de transtornos do espectro autista (TEA) é maior em regiões onde chove mais, pelo menos em três estados americanos onde uma pesquisa realizada na Universidade Cornell, em Ithaca, estado de Nova York, constatou uma associação positiva entre o número de crianças diagnosticadas e as taxas anuais de precipitação pluviométrica. Publicado nos Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, o estudo fortalece a hipótese de que fatores ambientais podem afetar crianças vulneráveis a esse, que é um dos mais misteriosos distúrbios psíquicos da infância.

Os pesquisadores obtiveram os dados a respeito da prevalência de TEA em crianças nascidas entre 1987 e 1999 nos estados de Oregon, Califórnia e Washington. As informações coletadas por agências governamentais foram comparadas aos índices oficiais de precipitação de cada condado (microrregiões de cada estado, formadas por algumas cidades) entre 1987 e 2001, cobrindo assim os três primeiros anos de vida, quando os primeiros sintomas do distúrbio geralmente se manifestam. Os resultados mostraram um número significativamente maior de crianças autistas nos lugares com maior média de precipitação nesse período.

Segundo os autores, há várias possíveis explicações para essa correlação positiva, embora nenhuma definitiva. Dias chuvosos costumam favorecer atividades realizadas dentro de casa, deixando as crianças mais tempo em frente à televisão, por exemplo, o que poderia interferir no seu desenvolvimento cognitivo. Além disso, elas também ficariam menos expostas à luz solar, essencial para o organismo produzir vitamina D, importante, entre outras coisas, para o amadurecimento do sistema nervoso. Resíduos de produtos químicos tóxicos, sejam eles encontrados em maior concentração dentro de casa (como os usados na limpeza doméstica) ou carregados de lugares distantes pela chuva, também poderiam desempenhar algum papel no desenvolvimento do transtorno.

Os pesquisadores ressaltam o caráter preliminar do estudo. Ainda que a maioria dos especialistas atualmente concorde que os transtornos do espectro autista são causados por uma combinação de fatores genéticos e ambientais (o que inclui os psíquicos), essas relações são extremamente complexas e ainda pouco compreendidas. Segundo eles, certamente há outros fatores, principalmente relativos à dinâmica afetiva e social da família, que ainda precisam ser investigados.