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Ciência sensível

Instalação exibe peças anatômicas junto a obras de arte; a proposta é aproximar o campo artístico e o científico

junho de 2011
Reprodução
Albert Einstein costumava dizer que os maiores cientistas são também artistas. O renascentista Leonardo da Vinci (1452-1519) – cujos esboços de equipamentos mecânicos e os estudos anatômicos aliam beleza a perfeição matemática – exemplifica a afirmação do físico alemão. A aproximação entre dois campos fundamentais de expressão humana, aparentemente tão distintos, o artístico e o científico, pode trazer novas e fascinantes maneiras de compreender o corpo, a mente e o mundo. Esta é proposta da instalação Anatomia das paixões: a arte, a ciência e o sujeito, em exibição nos dias 29 e 30 de junho, na feira de ciência e tecnologia da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).


Partes do corpo humano usadas em estudos de anatomia podem ser vistas em um contexto muito diferente do aspecto bruto das salas de dissecação. Em um compartimento escuro, as peças são mescladas com esculturas, vídeos, fotografias artísticas, desenhos e música, adquirindo assim novos significados. “A arte tende ao caráter particular, imprevisível, único, uma vez que é subjetiva e avessa a regras; já a ciência é uniformizadora, previsível, busca normas gerais – os valores que cada um desses campos dá a qualidades da lógica, como estética e ligação entre forma e função são necessariamente diferentes, pois são explorados em níveis distintos de abstração”, analisa a neurocientista Maira Fróes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenadora do grupo criador da instalação, Anatomia das Paixões, formado por neurocientistas, filósofos, artistas plásticos e estudantes. O grupo vem criando, desde 2008, mostras que fundem arte e fazer científico, como Uma ciência sensível e A percepção do som.