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Cientistas brasileiros desenvolvem técnica para diagnóstico precoce de Alzheimer

Recurso identifica os primeiros sinais da doença

agosto de 2012
© Levent Konuk/Shutterstock
Uma técnica desenvolvida por  neurocirurgiões do Hospital do Coração pode facilitar o diagnóstico precoce de Alzheimer, o tipo de demência mais frequente entre idosos, caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas. Os pesquisadores Antônio de Salles e Alessandra Gorgulho, do Hospital do Coração (HCor), desenvolveram originalmente na Universidade da Caliórnia (Ucla), um método capaz de localizar por meio de exames de neuroimagem pontos de desenvolvimento da patologia com grande precisão. Agora, os pesquisadores trazem o projeto para o Brasil.

A técnica consiste em combinar imagens geradas por PET/CT, um equipamento que une os recursos diagnósticos da medicina nuclear e da radiologia, com a ressonância magnética, e permite identificar os locais de maior concentração de células inativas no cérebro do paciente. “Ao visualizar os exames, vemos diferentes áreas do cérebro e suas vias representadas por cores diferentes, dependendo da direção das fibras nervosas. Os locais com baixa absorção de glicose no córtex cerebral representam áreas com função deficiente e são vistas com menos intensidades que as áreas normais. A partir desse indício, intensificamos as análises por meio do uso de comparação e adição de imagens", explica Salles. O neurocirurgião acredita que o recurso pode permitir o desenvolvimento de tratamento precoce ou preventivo de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento.

A doença de Alzheimer atinge cerca de 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais, 1 milhão estão no Brasil. Este número deve triplicar nos próximos 40 anos, segundo estudo da Alzeimer`s Disease International (ADI), somando 115,4 milhões em 2050. Embora ainda não haja cura, existem tratamentos para atenuar o declínio cognitivo associado a patologia. Por isso, quanto mais cedo o diagnostico, maiores são as chances das intervencões. “Diante da situação, é imprescindível contar com ferramentas capazes de diagnosticar a doença com antecedência e precisão”, conclui Salles.