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Comer menos para viver mais

Efeito da restrição calórica sobre longevidade parece ser mediado por neurônios, diz estudo

junho de 2007
Agência Fapesp
(Agência Fapesp) – Uma dieta restritiva – com redução da ingestão de alimentos de 40% a 60% (sem chegar à desnutrição) induz efeitos notáveis para a saúde e é capaz de aumentar a longevidade de diversos organismos vegetais. Isso é o que se sabe, mas os efeitos da restrição dietética em animais e especialmente em humanos ainda são pouco conhecidos.

A edição de 31 de maio da revista Nature traz importantes novidades nessa área. Um estudo, feito nos Estados Unidos, descreve o papel de um gene específico no aumento da longevidade. O trabalho foi feito com Caenorhabditis elegans, verme considerado organismo modelo para estudos biológicos.

“A restrição dietética estende a longevidade e retarda o surgimento de doenças relacionadas à idade em muitas espécies, além de alterar profundamente a função endócrina em mamíferos. Em nosso estudo, mostramos que o aumento da longevidade em Caenorhabditis elegans submetido a uma dieta restritiva requer o gene SKN-1 atuando em um par de neurônios conhecido como ASI. Essa restrição ativa o SKN-1 nesses neurônios que, por sua vez, sinalizam a tecidos periféricos para um aumento na atividade metabólica”, descreveram Nicholas Bishop e Leonard Guarente, do Departamento de Biologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Segundo os dois, a descoberta demonstra que o aumento da longevidade em animais depende da sinalização celular não autônoma de neurônios centrais para tecidos e sugere que os neurônios ASI seriam responsáveis pela mediação do aumento na expectativa de vida – por meio de um mecanismo endócrino ainda desconhecido.
No estudo, a dieta restritiva dos vermes consistiu na diluição das bactérias que lhes servem de alimento. As colônias de C. elegans submetidas à redução alimentar viveram de 20% a 50% mais do que as que se alimentaram normalmente.

O SKN-1 é um fator de transcrição, ou seja, uma proteína que regula a expressão de diversos outros genes. O trabalho ressalta que o SKN-1 não é o único responsável pelo aumento na longevidade verificado nos vermes analisados.

Em comentário na mesma edição da revista, Adam Antebi, da Faculdade de Medicina Baylor, pergunta se o SKN-1 não atuaria junto com o PHA-4, outro gene que estaria ligado à maior expectativa de vida – conforme estudo publicado na Nature no início do mês, conduzido por pesquisadores do Instituto Salk para Estudos Biológicos. Segundo Antebi, encontrar respostas a essas e a outras dúvidas sobre o assunto pode “iluminar o caminho para o aumento na saúde e na longevidade humanas”.