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Como adquirimos hábitos

Para que uma rotina seja fixada no cérebro, o corpo estriado coordena três etapas: explorar, agir e gravar

janeiro de 2015
Ann M. Graybiel e Kyle S. Smith
Hábitos parecem se destacar como ações bem definidas, mas, neurologicamente, se classificam ao longo de um continuum do comportamento. Numa das extremidades dessa “linha” está aquilo que pode ser executado quase que automaticamente, liberando espaço no cérebro para atividades diversas – escovar os dentes se enquadra aí. Do outro lado estão os que podem exigir muito tempo e energia – como a edição deste texto que você lê agora ou, ainda mais, falar em público caso a pessoa não esteja acostumada a isso.

Os hábitos surgem naturalmente ao explorarmos ambientes físicos e sociais e entrarmos em contato com o que sentimos. Experimentamos comportamentos em contextos específicos, descobrimos quais parecem satisfatórios e não muito dispendiosos e, depois, nos comprometemos com eles, formando rotinas. Por exemplo, se uma pessoa começou a roer as unhas em momentos de ansiedade e isso lhe trouxe um conforto imediato, é bastante provável que incorpore esse comportamento.

Iniciamos esse processo quando muito jovens, e, em certos casos, ele apresenta uma contrapartida, que pode agir contra nós. Quanto mais rotineiro um comportamento, menos ficamos conscientes dele. Daí surgem perguntas: desliguei o fogão antes de sair de casa? Fechei a porta com chave? Essa perda de vigilância pode não só interferir no funcionamento diário como permitir a criação de hábitos indesejados. Não raro, pessoas que engordam alguns quilos de repente percebem que estão comendo cada vez mais, sem se dar conta disso.

Explorar, agir e gravar

Usamos três passos para adquirir hábitos: explorar um novo comportamento, comportar-se de determinada maneira e depois gravá-la no cérebro (números coloridos). Apesar de cientistas não terem refinado todos os detalhes, o corpo estriado (centro) coordena cada passo. Embora pareça que executamos rotinas “sem pensar”, o córtex infralímbico (canto inferior direito) ainda acompanha o que fazemos.

1. Novo comportamento explorado: o córtex pré-frontal se comunica com o corpo estriado, que interage com o mesencéfalo, onde a dopamina auxilia a aprendizagem e atribui valor aos objetivos. Esses circuitos (linhas contínuas e tracejadas) formam ciclos de feedback positivo que nos ajudam a descobrir o que funciona ou não no comportamento.

2. Formas de hábito: ao repetirmos um comportamento, um ciclo de feedback entre o córtex sensório-motor e corpo estriado torna-se fortemente engajado, o que nos ajuda a gravar rotinas como uma única unidade, ou bloco, de atividade cerebral. O bloco em parte se instala no corpo estriado e depende da entrada de dopamina do mesencéfalo.

3. Hábito gravado e autorizado: assim que um hábito é armazenado como um bloco de ações, o córtex infralímbico parece ajudar o corpo estriado a marcá-lo ainda mais como atividade cerebral semipermanente. Auxiliado pela dopamina o córtex infralímbico também parece atuar quando temos permissão de nos envolver em um hábito. O bloqueio dessa região pode suprimir rotinas profundamente arraigadas

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