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Como eles e elas usam o banheiro

Mensagens cordiais em favor da limpeza surtem mais efeito que as neutras, revela estudo. Os homens foram mais resistentes às mudanças de comportamento

junho de 2007
(Agência UnB) − Sabe aquelas mensagens afixadas no banheiro para que o usuário dê descarga ou jogue papel no cesto? Elas são mais efetivas quando usadas com cordialidade que as neutras e as que indicam apenas uma ação. Pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) mostra que os avisos (ou prompts, como os cientistas chamaram) que usavam frases do tipo “em respeito ao próximo usuário....por favor....” resultaram em comportamentos mais adequados por parte dos usuários de banheiros públicos do que os simplesmente indicavam uma ação, por exemplo, “apague a luz” ou “dê descarga”. A mensagem cordial provocou efeito positivo não só em relação ao que ela apontava especificamente, mas também em vários aspectos da utilização do banheiro, como o descarte de papel e absorventes.

Os resultados são do estudo “Utilização de prompts para o aumento do comportamento pró-ambiental em banheiros públicos”, de autoria da doutoranda Zenith Nara Costa Delabrida, do Laboratório de Psicologia Ambiental da Universidade de Brasília (UnB). Com o auxílio de cinco alunos de graduação, a psicóloga visitou três banheiros de uma instituição e fez um levantamento com o pessoal da limpeza do local para verificar os problemas mais comuns. Além disso, ela visitou cerca de outros 230 banheiros de shoppings, repartições públicas, museus, teatros, residências, aeroportos, rodoviárias, bares, boates, restaurantes, universidades, hospitais, clínicas, clubes e academias. “Meu interesse é conhecer a dinâmica social do banheiro para pensar em intervenções e melhorar esse ambiente. Não adianta culpar o indivíduo, pois isso não ajuda a resolver o problema”, afirma Delabrida.

“Os prompts são pequenas mensagens que indicam comportamentos adequados. A principal vantagem desse tipo de intervenção é o baixo custo na sua utilização e a facilidade de aplicação. Como eles sugerem comportamentos específicos, fica mais fácil para o usuário se engajar nesse comportamento”, explica. Quando comparados banheiros masculinos e femininos, os homens foram mais resistentes às mensagens e menos propensos a mudar o comportamento. Em alguns banheiros masculinos houve até pichações em cima dos prompts.

Um dos aspectos que pode contribuir para a situação ruim, segundo a autora, é o histórico brasileiro escravagista que leva a comportamentos comodistas. “Sempre pensamos que há alguém para limpar e não que somos responsáveis pelo ambiente em que vivemos”, comenta. Entre as atitudes de desrespeito com o patrimônio os faxineiros relataram que nos banheiros masculinos são colocados chicletes até no mictório. Já no das mulheres o principal problema são os assentos dos vasos sanitários molhados, pois a maioria delas não se senta para urinar nem levanta a tampa do vaso sanitário. Sem falar no excesso de lixo, já que elas usam mais papel higiênico.

Embora o usuário seja o maior responsável pela sujeira do banheiro, a psicóloga pondera que o ambiente também tem que ser sugestivo para haver o comportamento esperado. “No caso das mulheres, que utilizam mais papel, a lixeira poderia ser maior para que não ficasse transbordando, ou deveriam ser colocados mais cestos de lixo”, sugere. Outra questão a ser analisada no estudo, ainda em andamento, é o quanto a sujeira contribui para ações inadequadas, como num mecanismo de retroalimentação. Se o banheiro já está sujo, muitos cidadãos questionam o porquê de ter atitudes de higiene.