Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Como escutar melhor

Especialistas em comunicação interpessoal enumeram algumas atitudes que podem nos tornar emocionalmente mais disponíveis

janeiro de 2016
SHUTTERSTOCK

Por que muitas vezes não ouvimos o que as pessoas de quem mais gostamos têm a dizer? Os motivos podem ser vários: falta de interesse genuíno nos sentimentos alheios ou crenças que nos levam a pensar que já “sabemos” o que o outro tem a falar ou como se sente são alguns deles. Especialistas em comunicação interpessoal e em escuta dão sugestões sobre como podemos nos tornar emocionalmente mais disponíveis e manter diálogos mais produtivos com quem amamos.

1. Questionar suposições. Não raro temos “certeza” do que se passa na cabeça de alguém. De acordo com o psicólogo John Stewart, autor de U&Me: communicating in moments that matter (Você e eu: comunicação nos momentos que importam), o cérebro é predisposto a aceitar informações que concordam com suas noções preconcebidas. De forma que, quando acreditamos que já “sabemos” o que o outro quer dizer, dificilmente o ouvimos na realidade. “Não acho que seja possível deixar de imaginar o que o outro pensa, isso faz parte de nós”, diz Stewart. No entanto, afirma, podemos balancear essa parcialidade. Uma maneira é cultivando interesse genuíno em conhecer o que o outro sente ou pensa. Verificar as próprias hipóteses durante a conversa – dizer, por exemplo, “então você quer dizer...” ou “você acredita que...” – e deixar que o outro confirme ou corrija melhora comunicação e cria condições para um diálogo verdadeiro.

2. Buscar compreender a perspectiva do outro. “O lado surpreendente do interesse genuíno é que ele nos impede de sermos defensivos”, diz Stewart. Perguntar-se, por exemplo, por que seu parceiro fica frustrado se você procrastina lavar a louça ou a roupa é mais eficaz do que concluir de saída que ele é excessivamente caprichoso e julga você desleixado. Ao mudar a perspectiva, você pode descobrir que a bagunça pode fazer seu companheiro se sentir estressado, desorganizado, como se a vida estivesse fora de controle. Dessa perspectiva, é mais vantajoso mudar algumas atitudes, organizando-se um pouco mais, ou continuar a oferecer motivos para que o outro tenha esses sentimentos? Uma boa maneira de exercitar o cuidado com o outro é fazer perguntas abertas, como “Pode falar mais sobre isso?”, uma das favoritas de Stewart. Ou “Como isso fez você se sentir?”, “Pode dar mais detalhes para me ajudar a entender?”.

3. Tentar não julgar. Não raro nos tornamos tão arraigados em nossas próprias crenças e opiniões que nos fechamos ou não ouvimos mais nada de ninguém, mesmo dos mais próximos. “Mas, agindo assim, perdemos mensagens importantes”, diz o pesquisador Philip Tirpak, instrutor de estudos de comunicação do Colégio da Comunidade da Virgínia do Norte e presidente da Associação Internacional de Escuta (ILA, na sigla em inglês), de apoio a pesquisas sobre ouvir de maneira eficaz. “A primeira coisa a fazer é tentar não interpretar o que o outro diz. Procure, de verdade, deixar a pessoa falar”, ele recomenda. “Ouça a mensagem inteira, sem interrupções. Apenas escute.” Quando fizer isso, vai perceber que, mesmo discordando de alguns tópicos ou objetivos comuns, será mais fácil se colocar no lugar do outro – ou seja, exercitar a empatia. “Esse sentimento tem a ver com compartilhar experiências. Embora possamos não identificar muita coisa em comum em alguns casos, no contexto geral somos muito mais parecidos do que imaginamos”, diz Tirpak.

4. Respeitar os próprios limites. “Escutar alguém de verdade requer humildade e curiosidade. Nenhuma dessas características pode ser simulada com sucesso”, afirma Stewart. Uma pessoa em situação de estresse ou com pressa, exemplifica, provavelmente não vai conseguir realmente permanecer presente e com interesse na conversa, principalmente se for sobre um tema difícil. Nesses momentos, sugere Tirpak, “não há nada de errado em apenas dizer ‘Entendo que isso é muito importante para você e quero prestar atenção. Podemos esperar um pouco? Preciso de algum tempo’”.  

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de janeiro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1UVmo8j

Leia mais:

Menos brigas, mais soluções
Estudos sugerem atitudes que auxiliam a resolver problemas dentro dos relacionamentos

Relacionamento a distância e felicidade
Estudo de universidade de Hong Kong aponta: casais que vivem afastados são tão ou
mais felizes do que os que moram juntos