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Como o cérebro “pisa no freio”

Parar de repente o que estamos fazendo para direcionar a atenção a outro ponto. Por meio de técnicas de imageamento cerebral, cientistas identificaram os circuitos cerebrais envolvidos nessa capacidade

abril de 2007
Gianbruno Guerrerio
Stock. Xchng
Parar de repente o que estamos fazendo para direcionar a atenção a outro ponto; tirar o pé do acelerador ao ver um pedestre cruzar a rua quando o sinal está verde − exemplos de um "programa" essencial na vida cotidiana que poderia se chamar “pare tudo já”. Os circuitos cerebrais envolvidos nessa capacidade acabam de ser descobertos por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego e publicados no Journal of Neuroscience.

Por meio de técnicas de imageamento cerebral, os cientistas identificaram um delicado feixe de neurônios que faz conexão direta e de alta velocidade entre regiões distantes do cérebro − o que parece ser decisivo no controle rápido do comportamento.

Uma dessas regiões está localizada na parte inferior do mesencéfalo. É o núcleo subtalâmico, que funciona como interface com o sistema motor e pode ser considerado o "botão de parar". Outra área envolvida é o córtex frontal inferior direito, que se conecta com o lobo temporal, de onde provavelmente vem o sinal de controle para ativação do freio.

Segundo os pesquisadores, esse circuito de freada rápida dos movimentos pode ser relevante no controle e na expressão das emoções e dos pensamentos, além de estar aparentemente envolvido no mal de Parkinson.
Os pacientes na fase terminal da doença têm os movimentos completamente congelados porque o núcleo subtalâmico (o botão de parar) fica constantemente ativo. De fato, a estimulação elétrica dessa região consegue descongelar o sistema motor do indivíduo, mas induz um curioso efeito de desinibi-lo, dando origem a comportamentos maníacos ou a hiperatividade sexual.

"Essas descobertas podem ser úteis na compreensão não somente do controle dos movimentos, mas também do autocontrole e como ele é perturbado em uma ampla gama de condições neuropatológicas, como na síndrome de Tourette, na gagueira, no déficit de atenção e hiperatividade e também na dependência química”, diz Adam Aron, coordenador do estudo.