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Compromisso e traição: conceitos líquidos

O número de pessoas que flertam pela rede aumentou 500% em todo o mundo nos últimos dez anos

abril de 2012
Fernanda Ribeiro
©Rudall30/Shutterstock
Mais de 400 mil brasileiros estão cadastrados no site Ohhtel, uma rede social que reúne interessados em manter relacionamentos extraconjugais. Homens pagam R$ 60 para enviar e-mails para as mulheres, que usam a página gratuitamente. Segundo uma das administradoras do site, Laís Ranna, 66% dos usuários são do sexo masculino, com idade média de 40 anos. A das usuárias é de 33 anos. Os pretendentes podem trocar mensagens com a intenção de avaliar se um encontro real vale a pena.

Páginas desse tipo mostram que a rede oferece múltiplas concepções de traição e comprometimento. A rede social Facebook, por exemplo, é considerada uma das principais causas de divórcio entre os americanos atualmente, segundo pesquisa da empresa de antivírus Norton. Na mesma medida, sites destinados a pessoas interessadas em um relacionamento amoroso ganham cada vez mais adeptos: cerca de 5% dos recém-casados americanos se conheceram pelo site de relacionamentos eHarmony, que tem mais de 33 milhões de inscritos espalhados por 191 países. Pagando entre R$ 25 e R$ 60 mensais, o usuário tem acesso a um “sistema de compatibilidade” que sugere pretendentes com gostos, valores e crenças similares aos seus. Em um clique, é possível ver fotografias de uma pessoa, saber algumas de suas preferências e convidá-la para uma conversa _ uma forma de conhecer e flertar que tem se tornado cada vez mais comum. Segundo pesquisa do Oxford Internet Institute divulgada em 2011, o número de usuários desse tipo de serviço aumentou 500% em todo o mundo nos últimos dez anos. Entre os brasileiros solteiros que têm acesso à rede, 65% já visitaram essas páginas.

Dúvidas sobre relacionamentos iniciados e desfeitos na rede e compulsão por pornografia virtual chegam com frequência à caixa de e-mails do Núcleo de Pesquisas da Psicologia da Informática (NPPI) da PUC-SP. O laboratório desenvolve estudos sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas e oferece serviço de orientação on-line – são recebidos em média dez e-mails de usuários por semana, segundo a coordenadora do núcleo, Rosa Farah. “Trocamos e-mails breves, focados no problema. Em alguns casos encaminhamos para a ajuda presencial, mas nem todas as pessoas que nos procuram moram em cidades onde é fácil encontrar atendimento”, diz. Interessados podem contatar os psicólogos do NPPI pelo site www.pucsp.br/nppi.