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Concentração radioativa indica idade de neurônios

fevereiro de 2006
Carbono isotópico foi liberado no ambiente por testes atômicos feitos entre os anos 30 e 50 .

O organismo humano compõe-se de cerca de 100 bilhões de células. Algumas nos acompanham durante toda a vida. Outras, como as epiteliais, vivem poucos dias e podem funcionar como uma espécie de "curativo neuronal". Testes realizados com animais indicam que o surgimento de novas células nervosas na idade adulta não é raro. A bióloga Kirsty Spalding, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia, usa um método curioso para estudar a idade dos neurônios.

A cientista descobriu que a concentração do elemento radioativo 14C oferece informações sobre o tempo de existência das células nervosas. Esse carbono isotópico foi liberado na atmosfera pelos milhares de testes atômicos realizados desde a metade dos anos 50 (desde a interrupção oficial dos testes,em 1963, a herança radioativa da Guerra Fria se reduz à metade a cada 11 anos). Se a quantidade de 14C formado no genótipo for medida e comparada à curva declinante global, pode-se saber sua idade das células.

Spalding retirou pequenas amostras de tecido do córtex do cerebelo e do cérebro de dez pessoas, mortas havia pouco tempo. Cinco delas tinham nascido pouco antes ou durante a fase dos testes atômicos, e os outros, de cinco a dez anos depois. Em todos os casos, as células da massa cinzenta do cerebelo tinham quase a mesma idade de seus doadores; os neurônios do córtex também eram pouco mais jovens. Esse novo método ainda tem uma razoável porcentagem de erro; mesmo assim, as pesquisas mostram que a neurogênese adulta não tem papel decisivo para os homens - ou então ela se restringe apenas a algumas regiões cerebrais bastante delimitadas.