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Estudo revela que a compreensão repentina em geral está correta, pelo menos quando se trata de resolver problemas pouco complexos

julho de 2016
SHUTTERSTOCK

Nosso cérebro adora encontrar sentido para o mundo que nos cerca. Aquelas ocasiões em que, de repente, algo parece fazer sentido, como se as informações “se encaixassem”, momentos do tipo “eureca!” costumam trazer sensações agradáveis. Mas é possível confiar neles? Segundo um estudo publicado em Thinking & Reasoning, a resposta é sim. Os resultados apoiam a sabedoria convencional de que esse tipo de percepção pode fornecer respostas corretas e até bastante precisas para problemas difíceis.

Em quatro experimentos coor-denados pelos psicólogos Carola Salvi, da Universidade Northwestern, e John Kounios, da Universidade Drexel, foram apresentados a universitários voluntários diversos problemas e, após um teste cronometrado, os participantes relatavam se tinham chegado à resposta analisando a questão passo a passo, de forma analítica, ou se a resposta tinha “saltado à mente”, num insight.

Nos estudos, as soluções “eureca!” estavam certas com mais frequência. Por exemplo, num teste em que 38 participantes tiveram de pensar numa única palavra que pudesse formar uma frase com três palavras apresentadas antes, os insights estavam corretos em 94% das vezes, em comparação a 78% de acertos para soluções analíticas.

A diferença pode derivar do modo como o cérebro gera insights. Como muito desse processamento mental ocorre fora da consciência, é uma questão de tudo ou nada: uma resposta totalmente formada ou vem à mente ou não. “Essa hipótese é sustentada por EEGs e exames de ressonância magnética funcional que, em estudos anteriores, revelaram que pouco antes de o insight ocorrer, o córtex occipital, que é responsável pelo processamento visual, ‘desliga’ momentaneamente para que as ideias possam emergir para a consciência”, explica Kounios. Resultado: é menos provável que insights estejam errados. Já o pensamento analítico é mais consciente, e mais sujeito a lapsos e raciocínios apressados. 

Isso não significa, porém, que o insight sempre seja a melhor opção. Os pesquisadores usaram quebra-cabeças com res-postas inequivocamen-te certas e erradas. E o mundo real não é tão óbvio. Vale considerar que talvez as soluções não se apliquem a problemas muito complexos, que podem levar meses ou anos para serem resolvidos. De fato, questões difíceis muitas vezes exigem várias estratégias para se chegar a uma solução, diz Janet Metcalfe, pesquisadora da Universidade Columbia, que não participou do estudo. “Em muitos casos, pode não haver uma solução ideal para um problema.”

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de julho de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/29SXuYj  

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