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Configurações do feminino

Filmes exibidos no interior paulista põem à prova a força da mulher na superação de angústias e infortúnios

dezembro de 2008
Tornar-se mulher é uma construção, e o preço de sua liberdade simbólica é a perda da ingenuidade e da submissão, questões que estão no centro da 12a Mostra Femina de Cinema Itinerante, que o Sesi de São Paulo apresenta em 14 cidades do estado de São Paulo, capital incluída.

Na programação da mostra, sete longas-metragens expõem com sensibilidade o universo feminino. São filmes estrangeiros e nacionais de diversos gêneros e períodos de produção, entre eles os infantis A viagem de Chihiro e Tainá, e os de temática adulta como A marquesa d’O, Piaf – um hino ao amor, O barato de Grace, Estamira e O resgate de Harrison. O que há de comum entre esses filmes é a trajetória de meninas/mulheres que superam, com determinação e coragem, angústias e adversidades rumo a conquistas sociais, resgate ou construção de identidade, bem como obtenção de dignidade e felicidade.

Voltando-se para a obra de Freud é possível refletir sobre as nuances da feminilidade apresentadas nessa mostra.

A sexualidade humana, para a psicanálise, não é dada pela anatomia dos sexos, mas por uma trama de representações que se constrói por meio de investimentos amorosos e hostis dirigidos aos pais desde a infância, e que depois devem ser substituídos – tanto nas meninas como nos meninos – pela identificação com uma ou outra figura parental. É com base nessa dinâmica que serão moldadas a feminilidade e a masculinidade. Para a menina, porém, esse processo é um tanto mais complexo que para o menino, dado que passa por mais etapas.

Desprovida do objeto capaz de causar desejo do ponto de vista imaginário (falo/pênis), é obrigada a fazer uma complexa manobra psíquica para construí-lo no discurso: já que não tem o objeto, resta a ela se fazer objeto de desejo, sem no entanto perder de vista que se trata de uma invenção pontual, por meio de artifícios e reivindicações. Caso contrário, ela se deixará enredar pelo imaginário e poderá ficará exposta às paixões desenfreadas. Essa diferença cobra de todas as mulheres, desde cedo e em qualquer sociedade, um esforço subjetivo adicional tanto na configuração do feminino como na superação das adversidades.