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Cores em perspectiva

abril de 2006
Sobre as cores espectrais há uma certeza: conforme a hora, folhagens e flores irradiam tons muito diferentes. Assim, à noite domina o vermelho, à tarde, o azul. Apesar disso, sempre distinguimos uma rosa entre flores vermelhas e folhas verdes. O motivo: nosso cérebro produz uma "constante de cores", que ajusta diferenças na composição espectral da luz.

Os entomologistas Beau Lotto e Martina Wicklein, da Universidade de Londres, descobriram que abelhas mamangavas também têm uma percepção muito sensível das cores, que supera até mesmo o robô mais inteligente. Os pesquisadores deram a seus voluntários zunidores a tarefa de reencontrar flores artificiais, após uma mudança de luminosidade, usando 64 pequenos tubos de plexiglas, em quatro cores. Divididas em quatro zonas, apenas as "flores" de uma tonalidade foram preenchidas com néctar, utilizando-se também uma iluminação com diferentes cores espectrais.

Para a abelha Bombus terrestris, isso significou que o doce preferido brilhou de forma diferente em cada canto da caixa. E mais: a iluminação variável do fundo, o contraste entre as flores e o campo no qual elas reluzem oferecem um ponto de referência sem igual.

Contudo, as abelhas mamangavas não se deixaram levar pela luz e, nos quatro setores, sugaram com vontade as flores corretas, cujas cores elas conheceram anteriormente sob luz branca e uniforme. Para os pesquisadores, elas se orientam não apenas por um simples contraste de tons, mas pela relação das cores entre si.