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Corpo, desejo e transgressão nas obras de Teresinha Soares

Escultura e pinturas produzidas nos anos 60 e 70 estão entre os destaques de mostra individual da artista no Masp, em São Paulo

maio de 2017
JORGE BASTOS
Escultura Caixa de fazer amor (1967)
Os 90 anos, Teresinha Soares guarda memórias de uma trajetória pouco comum: foi professora primária e missem sua cidade natal, Araxá, em Minas Gerais, e, com 40 anos e mãe de cinco filhos, despontou como artista plástica, chamando atenção pelas inovadoras instalações, telas e performances que abordam o sexo e o corpo. Apesar da curta duração da carreira como artista – entre os anos 60 e 70 –, Teresinha é reconhecida como pioneira na abordagem artística de pautas feministas, como o prazer sexual da mulher e a objetificação do corpo feminino. O Museu de Arte de São Paulo (Masp) exibe até agosto uma coletânea das principais produções da artista, além de fotografias e vídeos de suas performances, na mostra individual Quem tem medo de Teresinha Soares?.

O trabalho de Teresinha evoca diretamente o de outra contemporânea, Lygia Clark, pela proposta interativa e sensorial. Isso se vê na performance Camas – formas de corpos femininos recortadas em madeira foram colocadas sobre camas decoradas nas cores de times de futebol, com a inscrição “Ela me deu bola”, onde as pessoas podiam deitar e criar suas próprias performances, refletindo sobre o machismo que permeia as relações afetivas. “Nada melhor para representar o corpo que a cama. Ela é o seu berço, nela você encontra prazer, descanso e sonhos. É onde nasce a vida e encaramos a morte”, disse Teresinha sobre a obra realizada em 1970 e registrada em imagens.

Um dos destaques da mostra individual da artista no Masp é a instalação Caixa de fazer amor (1967), um dos seus primeiros trabalhos – uma engenhoca que lembra um moedor de carne prestes a processar dois rostos indefinidos, unidos por um coração (ou por testículos, dependendo da perspectiva). Estão expostas também pinturas da série Acontecências (1967), que abordam a satisfação de fantasias e o desejo, como Mamãe eu quero (1967), e a coletânea de serigrafias Eurótica (1970), sobre a autoexploração da sensualidade do corpo, a despeito da repressão cultural à vivência livre do prazer pela mulher, baseada nas experiências da artista. “Eu me descobri por mim mesma, aprendi a sentir meu corpo, a redesenhar minhas zonas erógenas, a buscar o prazer sem culpa nem castigo”, explicou Teresinha em entrevista à historiadora da arte Marília Ribeiro. A retrospectiva é a primeira grande mostra individual da artista em mais de 40 anos.

Quem tem medo de Teresinha Soares?. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Avenida Paulista, 1578, São Paulo. De terça a domingo, das 10h às 18h. Informações: (11) 3149-5959. R$ 30 (gratuito na terça). Até 6 de agosto.

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