Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Crença em teorias conspiratórias está associada à impotência e incerteza

Adotar teorias da conspiração e reconhecer padrões inexistentes é tentativa de simplificar um mundo complexo

abril de 2014
John Labbe/The Image Bank/Getty Images
Na maioria das vezes, as teorias conspiratórias são infundadas mas, ainda assim, costumam ser surpreendentemente difundidas. Dados divulgados em abril de 2013 pelo Centro Americano de Pesquisa de Políticas Públicas revelam que 37% dos americanos acreditam que o aquecimento global seja uma farsa, 21% pensam que o governo dos Estados Unidos encobre evidências da existência de alienígenas e 28% suspeitam que uma elite intelectual, secreta e poderosa, trama para dominar o mundo. Apenas algumas horas após o atentado na maratona de Boston surgiram milhares de comentários na internet sobre o que aconteceu, muitas versões afirmavam que o ataque seria uma armação e outros chegavam mesmo a negar que a tragédia tivesse ocorrido. 

O fato de tantas pessoas acreditarem nesse tipo de explicação aponta que a aposta em teorias conspiratórias não pode ser apenas um sintoma patológico. Obviamente a capacidade crítica e a possibilidade psíquica de questionar informações oficiais são fundamentais para o funcionamento da democracia. No entanto, pesquisas recentes demonstram que cultivar a certeza de que outras pessoas tramam terríveis ações contra algo ou alguém pode minar o interesse da maioria por temas de grande importância social. Compreender melhor o motivo da persistência dessas ideias pode ajudar a desenvolver maneiras de combater a desinformação e o alienamento.


É provável que esse comportamento ajude a compreender o mundo, oferecendo explicações simples para eventos complexos e angustiantes. Várias pesquisas, porém, demonstram que a crença em teorias conspiratórias está associada a sentimentos de impotência e incerteza. Em um estudo de 2008, Jennifer Whitson, da Universidade do Texas em Austin, e Adam Galinsky, da Universidade Northwestern, demonstraram que os participantes com dificuldade de controlar as emoções eram mais propensos a validar ideias ilusórias, incluindo aquelas relacionadas a conspirações.

Os pesquisadores apontam que reconhecer padrões onde não há preenche uma intrínseca necessidade de estrutura e organização. Em outras palavras, adotar crenças conspiratórias é uma tentativa de "reformular” um mundo complexo, transformando-o em um lugar mais previsível. Segundo essa dinâmica, um inimigo tangível absorve a culpa por problemas que de outra forma podem parecer muito abstratos. "Alguém" fica com todo o mal, e as idiossincrasias, próprias dos seres humanos e de todas as situações que construímos, parecem, assim, menos assustadoras.

Confira, na íntegra, O fascínio das teorias da conspiração, na Mente e Cérebro n. 255. Adquira nas bancas ou online, na versão impressa ou digital.

 

Mais nessa edição

Efeitos da inveja no sistema de recompensa do cérebro
Tanto a inveja quanto a Schadenfreude - sensação de prazer quando o sofrimento alheio é maior - têm sua utilidade, mas também seus custos

Cérebro de autistas é maior e tem mais neurônios, afirma estudo Circuito cerebral da maldade
No cérebro de um psicopata, o córtex pré-frontal ventromedial revela menor coordenação com áreas ligadas à empatia