Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Crianças transgênero se apropriam da identidade na mesma época em que as cisgênero

“Elas não estão confusas ou atrasadas. Comportam-se exatamente como esperado de acordo com a idade”, conclui estudo 

fevereiro de 2015
Shutterstock
Muitos duvidam que uma criança pequena possa discernir o próprio gênero (masculino ou feminino). Um novo estudo coordenado por cientistas americanos, porém, contesta essa crença e revela que as transgênero (que não se identificam com o que foi determinado no nascimento) se apropriam da identidade na mesma época em que as cisgênero, que são as que se reconhecem com o gênero definido socialmente.

A psicóloga Kristina Olson, da Universidade de Washington, em parceria com o psicólogo Nicholas Eaton, da Universidade Stony Brook, Nova York, e o pesquisador Aidan Key, da Organização Diversidade de Gênero, em Seattle, recrutaram 32 crianças trans (e seus irmãos cis), entre 5 e 12 anos, que viviam de acordo com o gênero com o qual se reconheciam em todos os aspectos da vida. Os pequenos voluntários ainda não haviam atingido a puberdade e vinham de famílias que os apoiavam. Os cientistas selecionaram também outros participantes cisgênero da mesma idade para comparações analíticas.

Para ter uma noção abrangente sobre a personalidade dos pequenos, Kristina e seus colegas usaram o autorrelato (reflexão sobre aspectos da identidade) em combinação com avaliações de aspectos latentes para medir a força de associações automáticas (operações fora da consciência e menos suscetíveis a modificações) relacionadas ao gênero. Uma delas, o Teste de Associação Implícita (TAI), por exemplo, avaliou a velocidade com que relacionavam “masculino” e “feminino” com descritores ligados aos conceitos de “eu” e “não

Os pesquisadores não observaram diferenças entre as respostas de todas as crianças. As transgênero revelaram forte identificação implícita com o gênero expresso: as meninas trans demonstraram o mesmo padrão que as cis. E as escolhas também eram similares: todas preferiam ser amigas de outras meninas e brincar com jogos e comer alimentos associados ao universo feminino. A mesma norma ficou evidente entre garotos trans e cis.

“Essas crianças não estão confusas ou atrasadas nem demonstram resposta atípica ou algum transtorno – transgeneridade não é doença. Elas se comportam exatamente como esperado de acordo com a idade e com a identidade de gênero”, argumenta Kristina. “Os dados reforçam diversas pesquisas que apontam que o reconhecimento de quem se é está profundamente enraizado”, conclui a psicóloga. Os resultados foram publicados na Psychological Science.