Notícias
  
08 de janeiro de 2007
Crimes de casal
 
Para Freud, razão da escolha amorosa está no passado: na vida adulta nos apaixonamos por quem podemos e não por quem queremos
Uma crise. Mentiras, agressões, lágrimas, declarações de amor, traições, culpas e resgates. É disso que trata a peça Pequenos crimes conjugais, de Eric-Emmanuel Scott, traduzida do francês por Paulo Autran, em cartaz em São Paulo. No palco, os personagens Lisa e Gilberto, interpretados por Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo, discutem a identidade do casamento e revelam o inevitável: apesar da intimidade, o parceiro sempre pode nos surpreender. E, não raro, nossas próprias opções nos parecem inexplicáveis. Para Freud, a origem das escolhas amorosas está no passado - mais especificamente na infância, quando o primeiro objeto de amor é a mãe. Os relacionamentos são fortemente associados a nossos modelos parentais e às identificações do período edípico. Portanto, na vida adulta nos apaixonamos por quem podemos - e não por quem queremos. Segundo a teoria freudiana, uma pessoa pode amar de acordo com uma escolha anaclítica ou narcísica. Na primeira, o parceiro representa alguém que oferece cuidado e proteção. A segunda remete a características do próprio sujeito que faz a escolha amorosa, enfocando o que se foi e o que se gostaria de ter sido.
1 2 »