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Cultura e lucidez no Festival da Loucura de Barbacena

março de 2008
DIVULGAÇÃO
OBRAS expostas na segunda edição do evento, em 2007
Celebrar as diferenças e desmistificar a loucura são os objetivos da 3a edição do Festival da Loucura, entre 3 e 6 de abril, em Barbacena, Minas Gerais. A “cidade dos loucos”, como foi chamada no século passado, foi a primeira a sediar um hospital psiquiátrico no estado, há 104 anos, acolhendo portadores de sofrimento mental e excluídos sociais de diversas regiões do país. A saúde mental sofreu os efeitos dessa superlotação e das condições precárias de atendimento até os anos 70, quando formas de tratamento foram reavaliadas e novas perspectivas terapêuticas, incorporadas ao município.

Este ano, o evento promovido pela Empresa Municipal de Turismo da cidade (Cenatur), com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), tem como tema “a loucura em diversos ramos”. Os organizadores esperam receber cerca de 50 mil pessoas. Estão programadas para os quatro dias de festival atividades socioculturais, artísticas e científicas. Na praça central da cidade, os participantes poderão apreciar, gratuitamente, teatros de rua e exposições de trabalhos realizados por portadores de doenças mentais, além de assistir a filmes e shows (como os de Marcelo D2, Pitty e bandas Luxúria e Manacá). E também se unir aos pacientes psiquiátricos no desfile do bloco de carnaval Tirando a Máscara. Para o produtor do evento, Érico Pissolati, trata-se do “maior momento de inclusão que o festival proporciona”. Este ano o bloco será acompanhado pela bateria da escola de samba carioca Viradouro.

Dois dias do festival são reservados para debates científicos acerca da loucura e políticas de saúde. Entre os temas em pauta estão a loucura no futebol (com ênfase no gênio temperamental de Heleno de Freitas, jogador morto em 1959 no sanatório de Barbacena, em decorrência de sífilis cerebral, que minou seu sistema nervoso e sua razão), nas artes plásticas, com a psicose pictórica de Van Gogh, e na literatura com Machado de Assis (que, além do famoso conto O alienista, discorreu sobre a loucura no romance Quincas Borba, cuja parte significativa da trama se passa em Barbacena).

Segundo Pissolati, apesar das resistências iniciais na época da criação do festival, em 2006, o aumento significativo de público, que triplicou de uma edição para outra, demonstra que a iniciativa tem sido “muito importante tanto para a saúde mental do município como para o país, porque agora todos querem apresentar o que está sendo feito pelos portadores de doenças mentais. Com isso quem ganha são os pacientes”.

Informações:
www.festivaldaloucura.com.br.